Documentos judiciais do Rio Grande do Sul revelam que a mulher presa recentemente em Santa Catarina por se apresentar falsamente como adolescente foi diagnosticada com transtorno factício, pseudologia fantástica e, posteriormente, transtorno de personalidade borderline. As informações constam em um processo criminal movido pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul em 2022.
Segundo os autos, Amanda Maria Souza de Oliveira utilizava identidades falsas para se apresentar como uma menina de 11 ou 12 anos, geralmente sob o nome de Gabrielly da Silva Ferreira. Com essa estratégia, ela teria conseguido acolhimento em residências de famílias, instituições religiosas e serviços públicos destinados à proteção de crianças e adolescentes em diferentes localidades.
Os registros apontam que Amanda recebeu atendimento psiquiátrico no Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, em Porto Alegre, onde foi diagnosticada com transtorno factício e pseudologia fantástica. Conforme parecer anexado ao processo, os profissionais identificaram comportamento manipulador que resultava na mobilização de diversos órgãos públicos, incluindo serviços de saúde, assistência social, forças policiais e instituições de acolhimento.
Durante o atendimento hospitalar, profissionais passaram a questionar a idade informada pela paciente e localizaram estudos científicos que descreviam um caso semelhante. A partir dessa comparação, foi levantada a hipótese de que ela seria a mesma pessoa retratada em pesquisas anteriores, situação posteriormente confirmada após contato com pesquisadores envolvidos no caso.
Em outro momento da investigação, uma perícia realizada pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP) apontou diagnóstico de transtorno de personalidade borderline. O laudo destacou a presença de características relacionadas à instabilidade emocional, impulsividade e dificuldades nos relacionamentos interpessoais.
De acordo com o Ministério Público, a investigada também relatava situações envolvendo supostos rituais de magia e episódios de automutilação, utilizando essas narrativas para obter acolhimento e assistência.
Com base na avaliação pericial, foi concluído que Amanda apresentava capacidade parcialmente comprometida para compreender plenamente o caráter ilícito de suas condutas à época dos fatos investigados. Em razão desse processo, ela permaneceu presa por aproximadamente seis meses no Rio Grande do Sul.
A ação penal acabou suspensa após a investigada não ser localizada novamente. Com a recente prisão em Santa Catarina, o Ministério Público solicitou a retomada da tramitação do processo.
A defesa informou que aguarda a realização de uma nova perícia pela Polícia Científica, marcada para o dia 26 de junho. Até a conclusão do exame e a juntada do laudo aos autos, o processo permanecerá suspenso.




