Um atendente de necrotério do Instituto Médico Legal (IML) de Santos, no litoral de São Paulo, foi preso preventivamente sob suspeita de utilizar o celular de um homem morto para realizar uma transferência bancária de R$ 7 mil para a própria conta. O caso é investigado pela Corregedoria da Polícia Civil e ganhou novos desdobramentos após a viúva da vítima relatar que voltou a ser atendida pelo servidor mesmo após registrar a denúncia.
O suspeito, identificado como Daniel Nathan Ribeiro Andrade, de 36 anos, foi preso na segunda-feira (9). Segundo a investigação, ele teria realizado a transferência por meio de Pix utilizando o aparelho celular de um motociclista que morreu após um acidente de trânsito ocorrido em Santos no dia 15 de maio.
A suspeita veio à tona quando a esposa da vítima procurou uma agência bancária para encerrar a conta do marido e identificou uma transferência realizada horas depois da morte dele. Ao verificar os dados do destinatário, ela descobriu que o valor havia sido enviado para uma conta vinculada a um funcionário do IML.
Após registrar boletim de ocorrência, a mulher retornou ao instituto para obter documentos relacionados ao processo de inventário e afirma ter sido atendida novamente pelo investigado. Segundo seu relato, o servidor teria se apresentado com um nome diferente durante o atendimento. A informação foi posteriormente comunicada à Corregedoria da Polícia Civil.
Outro elemento que passou a integrar a investigação envolve o estado em que o celular da vítima foi entregue à família. De acordo com a viúva, o aparelho apresentava sinais de danos e não continha mais registros de mensagens e arquivos armazenados no WhatsApp. A família suspeita que o equipamento possa ter sido manipulado após a transferência bancária.
Conforme documentos obtidos durante a apuração, a transação foi realizada às 6h49 do dia da morte do motociclista, antes de a família reconhecer oficialmente o corpo.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que o caso está sendo investigado pelos crimes de peculato, furto, fraude eletrônica e destruição de vestígios probatórios. A Corregedoria da Polícia Civil conduz as diligências para esclarecer todas as circunstâncias da ocorrência.
Em nota, a Superintendência da Polícia Técnico-Científica informou que acompanha o caso e ressaltou que não tolera desvios de conduta por parte de seus servidores, adotando medidas administrativas e disciplinares sempre que houver indícios de irregularidades.
A defesa do investigado não havia se manifestado até a última atualização do caso. As investigações seguem em andamento.




