Servidores técnico-administrativos e estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) realizaram um ato de protesto na manhã desta quarta-feira (10), em Porto Alegre, contra o que classificam como contingenciamento de recursos destinados às instituições federais de ensino. A mobilização resultou no fechamento temporário dos portões do Campus Centro, localizado na Rua Sarmento Leite, no Centro Histórico da capital.
A manifestação integra um movimento que reúne representantes da UFRGS, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Os participantes também reivindicam a regularização dos pagamentos de trabalhadores terceirizados das universidades.
Os acessos ao campus foram liberados por volta das 11h, após negociações entre os manifestantes e a Brigada Militar. Durante o protesto, atividades consideradas essenciais foram mantidas por meio de teletrabalho e acordos realizados pela administração universitária.
Segundo a UFRGS, a situação está relacionada à falta de liberação de limites financeiros pela Secretaria do Tesouro Nacional para o pagamento de despesas já empenhadas e liquidadas. A universidade informou que, nas últimas semanas, cerca de R$ 4,5 milhões em pagamentos aguardam a disponibilização dos recursos, o que pode comprometer outras obrigações financeiras caso a situação não seja regularizada.
A instituição também informou que precisou remanejar recursos emergenciais para garantir a continuidade de serviços considerados prioritários, incluindo pagamentos de contratos essenciais e despesas operacionais. Entre as atividades preservadas durante a mobilização estiveram o funcionamento de uma agência bancária instalada no campus e processos ligados ao ingresso de estudantes por ações afirmativas.
A paralisação dos servidores técnico-administrativos ultrapassa a marca de cem dias. De acordo com representantes sindicais, o movimento está relacionado ao cumprimento de acordos firmados com o governo federal em negociações realizadas desde 2024.
Após o ato no Campus Centro, os manifestantes realizaram uma caminhada em direção ao prédio de órgãos federais na Rua Loureiro da Silva, onde promoveram novas atividades de mobilização.
Em nota, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) informou que mantém diálogo permanente com representantes da categoria e destacou que acordos firmados em 2024 resultaram em medidas como reajustes salariais, reestruturação da carreira dos técnicos-administrativos e avanços em pautas relacionadas às condições de trabalho.
Já o Ministério da Educação (MEC) informou que a questão relacionada à liberação dos recursos financeiros é de competência do MGI.
Apesar da mobilização no Campus Centro, as atividades nos campi Saúde, Olímpico, Vale e Litoral Norte da UFRGS ocorreram normalmente ao longo desta quarta-feira.




