O El Niño de 2026-2027 apresenta sinais de forte intensificação e tem 69% de probabilidade de atingir intensidade histórica entre outubro e dezembro, segundo projeção do Centro de Previsão Climática (CPC), ligado à Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA).
De acordo com o boletim mais recente da agência, a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 está 2,6°C acima da média, um nível associado a episódios classificados como Super El Niño. O valor é o maior registrado desde o fenômeno de 2015-2016.
O recorde da série moderna de monitoramento ocorreu em novembro de 2015, quando a anomalia chegou a 3,0°C. O episódio de 1982-1983 alcançou 2,6°C, enquanto o de 1997-1998 chegou a 2,3°C.
Risco de um evento histórico
A NOAA estima probabilidade superior a 90% de que o fenômeno permaneça muito forte durante o outono e o inverno do Hemisfério Norte, período que corresponde à primavera e ao verão no Brasil.
Para o trimestre entre outubro e dezembro, a estimativa é de 69% de chance de que o El Niño alcance ou supere o patamar considerado histórico, definido pela agência a partir de uma anomalia de pelo menos 2,5°C no índice RONI.
A NOAA ressalta, porém, que a ocorrência de um fenômeno dessa intensidade aumenta a possibilidade de impactos associados ao El Niño, mas não permite determinar antecipadamente quais eventos meteorológicos ocorrerão em cada região.
Pacífico apresenta sinais de aquecimento
Além das temperaturas da superfície, outros indicadores apontam para o fortalecimento do fenômeno. O aquecimento das águas abaixo da superfície do Pacífico tropical também apresenta níveis excepcionais, enquanto imagens de satélite indicam alterações na altura do mar associadas ao deslocamento de uma onda de Kelvin em direção ao Pacífico Central e Oriental.
Pelo índice RONI, utilizado pela NOAA para reduzir a influência do aquecimento global na comparação entre diferentes períodos, a anomalia atual está em +1,8°C, classificando o episódio como El Niño forte.
O acompanhamento do fenômeno é especialmente relevante para o Rio Grande do Sul, que pode sofrer alterações nos padrões de chuva e temperatura durante episódios de El Niño. O fenômeno, no entanto, não determina sozinho a ocorrência de enchentes, estiagens ou temporais, já que os impactos dependem também de outros fatores atmosféricos e oceânicos.
A próxima atualização da NOAA sobre o comportamento do El Niño está prevista para 10 de setembro.




