A deputada estadual Luciana Genro recebeu, em seu gabinete, moradores de Capão da Canoa que denunciam possíveis irregularidades ambientais e urbanísticas relacionadas à construção de um condomínio às margens da Lagoa dos Quadros. Segundo os relatos apresentados, as obras já estariam causando impactos sobre a fauna, a flora e comunidades tradicionais de pescadores da região.
De acordo com os moradores, a preocupação envolve alterações no ecossistema da lagoa, considerada fonte de sustento para famílias que dependem diretamente da atividade pesqueira. Ribeirinhos também relatam temor quanto à degradação ambiental provocada pelas intervenções realizadas no entorno da área.
O grupo informou ainda que buscou apoio do Ministério Público Estadual, que marcou uma mediação sobre o caso para o dia 17 de junho. Diante da alegada urgência e do avanço das obras, Luciana Genro encaminhou pedido formal à Promotoria de Justiça de Capão da Canoa solicitando a antecipação da reunião.
Além das questões ambientais, os moradores apontam possíveis impactos no saneamento básico e na infraestrutura urbana do município. Conforme os relatos apresentados à parlamentar, o atual sistema público poderia não comportar o aumento populacional previsto com o novo empreendimento, que prevê a construção de quatro torres residenciais com capacidade para até 325 apartamentos em uma área considerada ambientalmente sensível do litoral norte gaúcho.
Segundo a deputada, os requerentes cobram maior transparência sobre os estudos ambientais realizados, os impactos previstos e as medidas mitigatórias adotadas para o empreendimento.
Os moradores também relataram que já haviam encaminhado denúncias ao Ministério Público, que inicialmente teria determinado a paralisação das obras. No entanto, posteriormente, a Justiça concedeu tutela de urgência favorável à incorporadora responsável, autorizando a continuidade das intervenções e impedindo obstáculos ao acesso de funcionários, veículos e equipamentos utilizados na obra.
Mesmo com o andamento judicial do processo, os moradores afirmam que as intervenções na área seguem provocando alterações significativas no entorno da lagoa, incluindo movimentação de máquinas, escavações e possíveis impactos sobre habitats naturais da fauna local.
Luciana Genro afirmou que acompanhará o caso e defendeu que o desenvolvimento urbano ocorra com respeito aos limites ambientais e às comunidades tradicionais que dependem da lagoa para sobrevivência econômica.




