O Ministério Público do Rio Grande do Sul participou de uma operação internacional que resultou na apreensão de um adolescente no Leste Europeu e evitou a realização de um atentado planejado para ocorrer em local público. A ação foi conduzida pelo Núcleo de Prevenção à Violência Extrema (NUPVE), em cooperação com a Polícia Federal e a Europol, agência de cooperação policial da União Europeia.
Segundo o Ministério Público, o caso foi identificado a partir do monitoramento de processos de radicalização em ambientes digitais realizado pelo núcleo especializado. Durante as investigações, integrantes do NUPVE se infiltraram em grupos online e acompanharam conversas entre adolescentes, identificando indícios de preparação para um ataque iminente fora do Brasil.
Conforme as autoridades, o adolescente investigado já estava em estágio avançado de planejamento da ação. A investigação apontou que ele pretendia transmitir o atentado ao vivo pela internet e já havia adquirido equipamentos e objetos utilizados na preparação do crime, como vestimentas de estilo militar, capacete com câmera acoplada, dispositivos de choque e spray de pimenta.
O material analisado também indicava planejamento logístico para deslocamento e fuga, o que levou ao compartilhamento imediato das informações com órgãos de segurança nacionais e internacionais.
De acordo com o coordenador do NUPVE, Fábio Costa Pereira, a atuação demonstra que ameaças relacionadas à radicalização digital ultrapassam fronteiras geográficas e exigem cooperação entre instituições de diferentes países.
O promotor de Justiça Leonardo Rossi, integrante do núcleo, destacou que a rapidez no compartilhamento de informações foi decisiva para impedir a concretização do ataque.
Segundo o Ministério Público gaúcho, o NUPVE já atuou em mais de 800 casos relacionados à prevenção da violência extrema envolvendo adolescentes nos últimos dois anos. Apenas em 2026, seis possíveis atentados foram evitados a partir de ações do órgão, sendo cinco no Rio Grande do Sul e um no exterior.




