Um registro incomum de fauna marinha foi confirmado no Litoral Norte do Rio Grande do Sul com o encalhe de uma baleia-de-bico em Capão da Canoa. O animal, pertencente ao gênero Mesoplodon, típico de águas oceânicas profundas, foi encontrado morto na faixa de areia, fato considerado raro por especialistas devido ao comportamento distante da costa dessa espécie.
A baleia era uma fêmea com aproximadamente 4,72 metros de comprimento. Como é característico das fêmeas da família Ziphiidae, não apresentava dentes aparentes, alimentando-se por sucção. Após o primeiro atendimento, a carcaça foi enterrada pela prefeitura, seguindo os procedimentos iniciais. Dias depois, em 19 de janeiro, pesquisadores do Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar/UFRGS), com apoio da Secretaria de Obras, realizaram a exumação para fins científicos.
Mesmo em avançado estado de decomposição, foi possível coletar amostras biológicas e remover o esqueleto completo. O material genético será analisado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, enquanto a ossada passará por preparação técnica para integrar o acervo do Museu de Ciências Naturais, contribuindo para estudos futuros.
A ocorrência também integra as ações do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas, que acompanha encalhes e a fauna marinha na região como parte das exigências ambientais relacionadas a atividades de sondagem oceânica. Registros desse tipo são considerados estratégicos para a pesquisa, já que oferecem dados relevantes sobre espécies pouco conhecidas e de difícil observação no litoral.




