Invasão a sistema da Defesa Civil dispara alertas falsos para cerca de 30 milhões de pessoas em oito estados

Foto: Banco de Imagens

Uma invasão ao sistema nacional de alertas da Defesa Civil resultou no disparo de mensagens falsas para celulares em ao menos oito estados brasileiros e no Distrito Federal, atingindo cerca de 30 milhões de pessoas entre a noite de sexta-feira (19) e a madrugada de sábado (20). O caso é investigado pela Polícia Federal.

De acordo com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, o sistema Defesa Civil Alerta foi invadido e utilizado para o envio indevido de notificações classificadas como “alerta extremo”, categoria normalmente reservada a situações reais de risco iminente, como desastres naturais, enchentes, deslizamentos ou eventos climáticos severos.

No entanto, as mensagens disparadas não tinham relação com qualquer ocorrência emergencial. Parte dos alertas continha apenas a palavra “misantropia”, termo que significa aversão ou ódio à humanidade. Outros textos incluíam expressões sem relação com emergências, como “invasão alienígena”, o que gerou confusão e preocupação entre os usuários que receberam as notificações acompanhadas de alerta sonoro nos celulares.

Segundo as autoridades, ao menos dez notificações diferentes foram enviadas durante a invasão, sendo nove por meio do sistema Cell Broadcast — tecnologia implantada em 2025 que permite o envio de alertas diretamente aos celulares em áreas específicas, sem necessidade de aplicativo — e uma via SMS, sistema anterior utilizado até a substituição mais recente.

As mensagens foram registradas em diferentes locais, incluindo capitais como Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Curitiba (PR), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP), além de outros municípios dessas regiões. A primeira notificação teria sido disparada a partir de Curitiba, segundo apuração inicial das autoridades.

O sistema foi retirado do ar por precaução logo após a detecção da invasão, enquanto equipes técnicas trabalham na restauração da segurança da plataforma. A suspeita inicial é de um ataque cibernético coordenado, mas ainda não há confirmação se a ação foi realizada por uma única pessoa ou por um grupo.

A Polícia Federal conduz a investigação em conjunto com a equipe técnica da Defesa Civil e com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que apura possíveis falhas nos canais oficiais de distribuição dos alertas. Segundo informações preliminares, os disparos não teriam passado pela estrutura oficial operada pela ABR Telecom, responsável pelo sistema.

O governo federal afirma que o objetivo agora é reforçar os protocolos de segurança digital para evitar novas invasões e garantir a confiabilidade do sistema, que é considerado essencial para a comunicação de risco em situações de emergência real.

O episódio expôs uma fragilidade em uma ferramenta criada justamente para salvar vidas, ao simular alertas de desastres que, na prática, não existiam, gerando preocupação em grande escala e mobilizando autoridades de segurança e telecomunicações em todo o país.

Redação TV Litoral

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