Demora no diagnóstico de esclerose múltipla pode agravar evolução da doença

Foto: NeuroGraphix Studio/AdobeStock

Uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira (28), durante o Agosto Laranja, chama atenção para o tempo que pacientes com esclerose múltipla levam para receber o diagnóstico correto no Brasil.

O levantamento, realizado pela HSR Health em parceria com a Roche Farma e divulgado pela Associação Brasileira de Esclerose Múltipla, ouviu 368 pessoas em tratamento contra a doença. Segundo os dados, 56,8% receberam algum diagnóstico incorreto antes de descobrir que tinham esclerose múltipla.

A pesquisa aponta ainda que 26,6% demoraram mais de cinco anos para receber o diagnóstico definitivo. Em 14,1% dos casos, o intervalo entre os primeiros sintomas e a confirmação da doença foi de dez anos ou mais. Em média, os pacientes passam por cerca de quatro médicos e levam aproximadamente três anos até chegar ao diagnóstico correto.

A esclerose múltipla é uma doença inflamatória, crônica e autoimune que afeta a mielina, estrutura responsável por proteger as fibras nervosas. Com isso, a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo pode ser prejudicada.

Os sintomas variam e podem incluir alterações na visão, formigamento, dormência, dores, fadiga e dificuldades de mobilidade. Como essas manifestações também podem estar relacionadas a outras doenças, o diagnóstico pode ser dificultado.

Especialistas alertam que identificar a doença precocemente é importante para iniciar o tratamento e reduzir o risco de danos neurológicos permanentes.

Estima-se que cerca de 40 mil brasileiros convivam com esclerose múltipla, que atinge principalmente mulheres jovens, entre 20 e 40 anos.

Embora a doença ainda não tenha cura, os tratamentos disponíveis evoluíram nos últimos anos e podem ajudar a controlar sua progressão. Segundo a pesquisa, 48% dos pacientes entrevistados estão estáveis ou em remissão.

O levantamento também mostra os impactos da doença na rotina. 72,8% dos entrevistados relatam prejuízos na renda ou nas oportunidades profissionais, enquanto 41,2% afirmam ter interrompido ou remarcado o tratamento por dificuldades de acesso.

Os dados reforçam a importância de ampliar o conhecimento sobre os sinais da esclerose múltipla e facilitar o acesso a especialistas e exames para que o diagnóstico aconteça o mais cedo possível.

Redação TV Litoral

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