Pediatras alertam para riscos do uso inadequado de canetas GLP-1 por crianças e adolescentes

Foto : Cristian Camilo/Divulgação

Sociedade Brasileira de Pediatria reforça que medicamentos devem ser utilizados apenas com indicação e acompanhamento especializado

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou nesta segunda-feira (24) um alerta sobre o uso inadequado de medicamentos da classe GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, por crianças e adolescentes. A preocupação está principalmente relacionada ao uso sem indicação médica, acompanhamento especializado ou com finalidade exclusivamente estética.

Segundo a entidade, a utilização inadequada pode aumentar o risco de efeitos adversos, entre eles desidratação, alterações nos níveis de eletrólitos, perda de massa muscular, prejuízos ao crescimento e desenvolvimento, problemas na vesícula biliar e pancreatite aguda.

A SBP também chama atenção para os impactos psicológicos associados ao uso desses medicamentos para modificar a aparência corporal. Em crianças e adolescentes, a busca por perda de peso por razões estéticas pode contribuir para o desenvolvimento de transtornos alimentares, além de ansiedade e quadros depressivos relacionados à imagem corporal.

Medicamentos têm indicações específicas

Os medicamentos da classe das incretinas possuem indicações específicas para alguns casos de obesidade e diabetes tipo 2 na população pediátrica. A prescrição deve considerar individualmente as condições de cada paciente, incluindo a gravidade da doença, a existência de outros problemas de saúde, tratamentos anteriores e os possíveis riscos e benefícios.

Até agosto de 2026, três medicamentos dessa classe possuem aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para determinadas indicações pediátricas: liraglutida, semaglutida e tirzepatida.

A liraglutida pode ser indicada para diabetes tipo 2 a partir dos 10 anos e para obesidade a partir dos 12 anos, desde que atendidos os critérios estabelecidos. A semaglutida possui indicação para obesidade a partir dos 12 anos, também dentro dos parâmetros previstos. Já a tirzepatida pode ser utilizada no tratamento do diabetes tipo 2 a partir dos 10 anos.

Esses medicamentos atuam sobre mecanismos relacionados à saciedade, à ingestão de alimentos e ao esvaziamento do estômago. Também produzem efeitos sobre o metabolismo e a liberação de insulina.

Efeitos adversos exigem atenção

Entre as reações mais comuns estão náuseas, vômitos, refluxo, azia, diarreia e constipação, especialmente durante a fase de aumento gradual das doses. A redução da massa muscular também é apontada como um possível efeito.

Entre as complicações mais graves estão pancreatite, hipoglicemia e colelitíase, caracterizada pela formação de cálculos na vesícula biliar.

A entidade também orienta que não sejam utilizados produtos sem procedência ou registro sanitário, incluindo preparações clandestinas, manipuladas ou importadas sem registro na Anvisa.

O alerta da SBP não é contrário ao uso dos medicamentos quando existe indicação clínica. A recomendação é para que o tratamento seja realizado dentro dos critérios estabelecidos, com avaliação médica e acompanhamento adequado, especialmente durante a infância e a adolescência.

Redação TV Litoral

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