A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e os clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro aprovaram novas regras de arbitragem que passam a valer imediatamente nas principais competições nacionais.
As mudanças serão aplicadas nas Séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro masculino, na Série A1 do futebol feminino e na Copa do Brasil. As medidas seguem alterações definidas pela International Football Association Board (IFAB), órgão responsável pelas regras do futebol, e têm como principal objetivo reduzir o tempo de paralisação das partidas e aumentar o período de bola em jogo.
Entre as novas determinações está o limite de oito segundos para que o goleiro mantenha a bola nas mãos. Caso ultrapasse o tempo, a equipe adversária terá direito a um escanteio. Também foram estabelecidos limites para cobranças de lateral e tiro de meta, de cinco segundos cada.
As substituições também passam a ter uma regra específica. O jogador que deixar o campo terá até dez segundos para sair. Caso ultrapasse esse período, o atleta que entraria em campo deverá aguardar um minuto antes de participar da partida.
Outra mudança envolve jogadores que recebem atendimento médico dentro do gramado. Após o reinício da partida, o atleta deverá permanecer fora de campo por pelo menos um minuto antes de retornar.
No caso de atendimento ao goleiro, a equipe deverá indicar um jogador de linha para cumprir esse período fora de campo.
A comunicação com a arbitragem também terá novas restrições. A partir de agora, apenas o capitão de cada equipe poderá se dirigir ao árbitro para tratar de decisões da partida. Quando o capitão for o goleiro, outro jogador de linha será indicado como interlocutor. O descumprimento da determinação poderá resultar em cartão amarelo.
Outra medida prevê punição mais severa para jogadores que cobrirem intencionalmente a boca durante discussões com adversários, dificultando a leitura labial. A conduta poderá resultar em expulsão, independentemente do conteúdo da conversa.
VAR terá novas possibilidades de revisão
O árbitro de vídeo também terá sua atuação ampliada. A partir da implementação das novas regras, o VAR poderá revisar situações que resultem em segundo cartão amarelo e, consequentemente, expulsão. Caso seja constatado erro na aplicação da punição, o cartão poderá ser retirado.
Uma outra alteração prevê a possibilidade de revisão de escanteios concedidos de forma equivocada quando a jogada tiver relação direta com um gol ou pênalti. Essa regra, porém, somente entrará em vigor a partir de 2027.
Objetivo é aumentar o tempo de bola rolando
As mudanças fazem parte de uma estratégia para reduzir as interrupções durante as partidas. A Fifa trabalha com a meta de alcançar pelo menos 60 minutos de bola em jogo por partida.
Antes da pausa para a Copa do Mundo, a média registrada na Série A do Campeonato Brasileiro masculino era de 52 minutos e 54 segundos de bola rolando por jogo. Entre as principais ligas europeias, os campeonatos francês e alemão apresentavam médias superiores a 56 minutos.
Estudo realizado pela empresa de dados Opta para a CBF estima que as novas regras possam acrescentar, em média, 5 minutos e 49 segundos de bola em jogo por partida, podendo chegar a 6 minutos e 22 segundos em determinados cenários.
Com a adoção imediata das medidas, clubes e arbitragem terão de adaptar procedimentos durante as partidas, especialmente em situações envolvendo goleiros, substituições, atendimentos médicos e comunicação com os árbitros.




