Cinco exemplares de lobo-marinho-subantártico (Arctocephalus tropicalis) foram registrados no Litoral Norte do Rio Grande do Sul durante a segunda semana de julho, marcando as primeiras ocorrências da espécie na temporada de 2026. Os animais foram identificados entre os dias 7 e 18 de julho no trecho compreendido entre os municípios de Palmares do Sul e Capão da Canoa.
Os registros foram realizados pela equipe do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas (PMP-BP), desenvolvido pelo Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Duas ocorrências chegaram ao conhecimento da equipe por meio de acionamentos da população, enquanto as demais foram identificadas durante o monitoramento de rotina realizado nas praias da região.
Dos cinco animais registrados, apenas um precisou ser encaminhado ao Centro de Reabilitação de Animais Marinhos (Ceram), em Imbé. Segundo a equipe técnica, o exemplar era idoso, apresentava lesões crônicas e teve amostras de sangue coletadas para avaliação, mas morreu no dia seguinte ao resgate. Os demais animais estavam em boas condições de saúde e apenas descansavam na faixa de areia, comportamento considerado natural para a espécie.
Os pesquisadores destacam que o lobo-marinho-subantártico é menos comum no litoral gaúcho, embora ocorrências sejam registradas anualmente. A espécie se diferencia do lobo-marinho-sul-americano (Arctocephalus australis), mais frequente na costa do Rio Grande do Sul, principalmente pela coloração do ventre, que é amarelo-esbranquiçado. Já o lobo-marinho-sul-americano apresenta pelagem mais uniforme e tem origem em colônias reprodutivas da Argentina e do Uruguai.
A equipe do projeto orienta que, ao encontrar um lobo-marinho vivo ou morto entre Torres e o Farol Berta, em Palmares do Sul, a população entre em contato pelo telefone (51) 3308-1263, informando data, horário, município, guarita, localização e, se possível, enviando fotografias. A recomendação é manter distância dos animais e evitar qualquer tentativa de aproximação ou manejo.
O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas é uma exigência do licenciamento ambiental federal conduzido pelo Ibama para as atividades de pesquisa e aquisição de dados geológicos realizadas pela TGS na Bacia de Pelotas. A área, que se estende do litoral de Santa Catarina até a fronteira com o Uruguai, é considerada uma das principais fronteiras exploratórias de petróleo e gás do país, com previsão de início das atividades de exploração a partir de 2028.




