O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou que o país deixará de realizar eleições, encerrando a possibilidade de alternância de poder ao término de seu atual mandato, previsto para 2027. O anúncio foi feito durante um discurso em comemoração ao aniversário da Revolução Sandinista, celebrado no domingo (19).
No pronunciamento, Ortega declarou que não haverá novas eleições para permitir o retorno da oposição ao governo, reforçando a permanência do atual grupo político no comando do país. O presidente, no entanto, não detalhou como a medida será implementada.
No poder desde 2007, após também ter governado o país na década de 1980, Ortega acumula críticas da comunidade internacional pelo enfraquecimento das instituições democráticas. A eleição presidencial de 2021 foi amplamente contestada após a prisão de adversários políticos, empresários e lideranças da oposição antes do pleito.
Em 2025, uma reforma constitucional ampliou ainda mais os poderes do governo, estendendo o mandato presidencial para seis anos e oficializando a esposa de Ortega, Rosario Murillo, como copresidente. O casal concentra o comando do Executivo e exerce influência sobre as Forças Armadas e o Poder Judiciário.
Organismos internacionais, como o Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), acusam o governo nicaraguense de promover violações sistemáticas de direitos humanos e de transformar o país em um regime autoritário.
A Nicarágua enfrenta uma crise política desde 2018, quando protestos contra o governo foram reprimidos pelas forças de segurança. Segundo organismos de direitos humanos, mais de 300 pessoas morreram durante a repressão. O anúncio do fim das eleições representa um novo capítulo no processo de concentração de poder no país centro-americano.




