O Conselho Tutelar de Viamão confirmou nesta terça-feira (7) que acompanhava há cerca de oito meses a família do missionário norte-americano preso por suspeita de espancar o próprio filho, de 3 anos. O procedimento havia sido aberto devido à situação de vulnerabilidade familiar, mas, segundo o órgão, não existiam indícios de agressões que justificassem o acionamento da Polícia Civil.
De acordo com o Conselho Tutelar, a família foi encaminhada para serviços públicos do município, incluindo atendimentos na área da saúde. O órgão informou ainda que não concederia entrevistas sobre o caso em respeito às normas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
O menino permanece internado em estado gravíssimo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica do Hospital de Pronto Socorro, em Porto Alegre. Conforme a investigação, as agressões ocorreram na manhã de domingo (5), na residência da família, localizada na localidade de Águas Claras, em Viamão.
Segundo a Polícia Civil, o pai, um missionário religioso de 33 anos, natural dos Estados Unidos, confessou as agressões e afirmou que agiu porque a criança não lhe desejou “bom dia”. Em depoimento, ele relatou ter desferido socos no peito e no abdômen do menino, além de bater a cabeça da criança contra o chão.
A mãe da vítima estava em outro cômodo da residência no momento das agressões. Após o episódio, o casal levou a criança ao Hospital de Viamão, onde a equipe médica identificou a gravidade das lesões e acionou a Polícia Militar. O suspeito foi preso em flagrante e, posteriormente, teve a prisão convertida em preventiva pela Justiça.
A investigação é conduzida pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Viamão. A Polícia Civil informou que pretende indiciar o investigado por tentativa de homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e por ter sido praticado contra uma vítima menor de 14 anos.
As investigações também apontam indícios de um histórico de violência doméstica. A mãe relatou que o marido já havia apresentado comportamento agressivo em outras ocasiões. Os demais filhos do casal foram encaminhados para perícia, e a polícia solicitou medidas protetivas com base na Lei Henry Borel para apurar se também foram vítimas de maus-tratos.
A Polícia Civil mantém contato com a Polícia Federal, que confirmou a situação migratória regular do investigado no Brasil, e também busca informações junto a órgãos de outros estados para verificar possíveis registros anteriores envolvendo a família.




