O matemático russo Mikhail Verbitsky, pesquisador do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), sediado no Rio de Janeiro, foi preso na última quinta-feira (11) no Aeroporto Internacional de Zvartnots, em Yerevan, capital da Armênia. A informação foi confirmada pelo instituto, neste sábado (13), onde o cientista atua desde 2017.
Segundo o IMPA, a detenção ocorreu a partir de um pedido das autoridades russas. A instituição afirma que o caso está relacionado a acusações de natureza política e solicitou formalmente às autoridades armênias a liberação imediata do pesquisador para que ele possa retornar ao Brasil e retomar suas atividades acadêmicas.
Reconhecido internacionalmente por suas contribuições à geometria complexa e à teoria das variedades hiperkähler, Verbitsky é considerado uma das principais referências mundiais em sua área de atuação. Ao longo dos últimos anos, o pesquisador teve papel relevante na formação de novos matemáticos brasileiros e no fortalecimento de projetos de cooperação científica internacional.
Informações divulgadas por apoiadores e veículos internacionais apontam que o matemático passou a ser alvo de investigação criminal na Rússia em 2024, sob acusação de apologia ao terrorismo. Em 2025, seu nome foi incluído em uma lista russa de pessoas classificadas como terroristas e extremistas. Verbitsky nega as acusações.
A Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) também manifestou preocupação com a prisão. Em nota, a entidade destacou a importância científica do pesquisador e ressaltou seu compromisso com os princípios da liberdade acadêmica, da livre circulação de cientistas e da cooperação internacional.
A SBM afirmou ainda que acompanha os desdobramentos do caso e expressou solidariedade ao matemático, à sua família, alunos, colegas e ao IMPA, defendendo que a situação seja esclarecida com rapidez e respeito às garantias fundamentais reconhecidas internacionalmente.
Até o momento, as autoridades da Armênia não divulgaram informações sobre um eventual pedido formal de extradição. A comunidade científica brasileira segue acompanhando o caso e aguarda uma definição sobre a situação do pesquisador.




