A estreia do primeiro carro totalmente elétrico da Ferrari provocou forte repercussão no mercado financeiro e entre admiradores da marca. As ações da fabricante italiana chegaram a cair mais de 8% após a apresentação do modelo Luce, realizada nesta semana.
O novo veículo, apresentado pelo CEO Benedetto Vigna, marca a entrada oficial da montadora no segmento de carros elétricos de luxo. O Luce também se tornou o primeiro modelo de cinco lugares da história da Ferrari e foi lançado com preço inicial de 550 mil euros, equivalente a cerca de US$ 640 mil.
Apesar da importância estratégica do lançamento, o modelo recebeu críticas relacionadas principalmente ao design e à ausência do tradicional ronco dos motores Ferrari, considerado uma das marcas registradas da fabricante italiana.
Entre os críticos está o ex-presidente da empresa Luca di Montezemolo, que questionou a identidade visual do novo veículo. O vice-primeiro-ministro e ministro dos Transportes da Itália, Matteo Salvini, também afirmou que o modelo se distancia do conceito tradicional da Ferrari.
A reação negativa refletiu diretamente no mercado. Analistas apontaram preocupação com o impacto da eletrificação na identidade da marca, historicamente associada a motores de alta performance e veículos esportivos de combustão.
Mesmo com a queda das ações, instituições financeiras recomendaram cautela aos investidores. Analistas da RBC Capital Markets lembraram que a Ferrari enfrentou resistência semelhante em 2022, quando lançou o Purosangue, primeiro modelo de quatro portas da marca, inicialmente criticado por romper tradições. O veículo acabou se tornando um dos mais vendidos da empresa.
Segundo especialistas, a Ferrari aposta que o Luce mantenha a experiência de condução característica da marca, mesmo com a motorização elétrica. Há ainda expectativa de que o modelo atraia novos consumidores, especialmente no mercado asiático.
O lançamento também reacendeu o debate sobre a transição das marcas de luxo para veículos elétricos. Concorrentes como Bentley, Lamborghini e Aston Martin já anunciaram adiamentos em seus cronogramas de eletrificação total.
Analistas do Citi avaliaram que, apesar dos desafios, a Ferrari não poderá ignorar a tendência global de eletrificação do setor automotivo. Ainda assim, os modelos movidos a combustão devem continuar sustentando os resultados financeiros da empresa nos próximos anos.




