Uma cirurgia robótica realizada entre a China e o Rio Grande do Sul colocou Porto Alegre no centro de um dos procedimentos médicos remotos mais distantes já executados no mundo. O médico brasileiro Norberto Martins comandou, diretamente da cidade de Wuhan, na China, a retirada da vesícula biliar de uma paciente internada no Hospital Mãe de Deus, na Capital gaúcha, a mais de 19 mil quilômetros de distância.
O procedimento ocorreu na quarta-feira (20) e utilizou tecnologia de telecirurgia robótica capaz de reproduzir, em tempo real, os movimentos feitos pelo cirurgião no exterior. Segundo a equipe médica, o tempo de resposta entre os comandos realizados na China e a execução pelo robô em Porto Alegre foi de aproximadamente 200 milissegundos, índice considerado seguro para a realização da operação.
A cirurgia foi realizada com o auxílio do robô chinês Toumai, equipamento adquirido pelo Hospital Mãe de Deus em 2025 e preparado para procedimentos remotos de alta complexidade. A operação integrou a programação científica do 10º Congresso Chinês de Cirurgia Hepatobiliar, Cirurgia Robótica e Inteligência Artificial.
Enquanto Norberto Martins operava a partir da China, profissionais permaneceram no centro cirúrgico em Porto Alegre acompanhando todo o procedimento. A equipe local deu suporte presencial à paciente e monitorou a execução da cirurgia em tempo real.
O Hospital Mãe de Deus já havia se destacado anteriormente ao realizar a primeira telecirurgia robótica não experimental da América Latina. Desde então, a instituição vem ampliando experiências internacionais envolvendo cirurgia remota.
O avanço da cirurgia robótica também vem ganhando espaço em outros hospitais gaúchos. No Hospital São Lucas da PUCRS, procedimentos robóticos já são realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Já a Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre mantém um centro especializado na formação de médicos para atuação com plataformas robóticas.
Especialistas da área apontam que a tecnologia permite maior precisão cirúrgica, redução do trauma ao paciente e recuperação mais rápida no pós-operatório. A expectativa é que os procedimentos remotos avancem nos próximos anos, ampliando o acesso a especialistas mesmo em longas distâncias.




