Correios registram prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025 e ampliam crise financeira da estatal

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Correios encerrou o ano de 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões, conforme dados divulgados pela própria estatal. O resultado negativo é o quarto consecutivo e representa mais que o triplo da perda registrada em 2024, quando o déficit foi de R$ 2,6 bilhões, evidenciando o agravamento da situação financeira da empresa.

O desempenho marca uma reversão em relação ao período anterior a 2021, quando a estatal havia registrado resultados positivos, incluindo lucro recorde. Desde então, os balanços passaram a apresentar quedas sucessivas, levando o patrimônio líquido a encerrar 2025 em R$ 13,1 bilhões negativos.

De acordo com a companhia, o principal impacto veio do aumento das despesas, especialmente com o pagamento de precatórios e o provisionamento de obrigações judiciais. Parte significativa desses valores está ligada a ações trabalhistas e passivos acumulados em gestões anteriores. Somente em provisões, foram destinados R$ 2,63 bilhões para cobrir perdas futuras.

A redução da receita também contribuiu para o resultado. O faturamento bruto alcançou R$ 17,3 bilhões, com queda superior a 11% em relação ao ano anterior. A retração está associada, principalmente, à diminuição no volume de encomendas internacionais, que recuou cerca de 66% após mudanças nas regras de tributação de importações de baixo valor.

Diante do cenário, a estatal iniciou, no final de 2025, um plano de reestruturação financeira. Entre as medidas adotadas está a captação de R$ 12 bilhões em crédito junto a instituições financeiras, com o objetivo de reforçar o caixa, regularizar pagamentos e garantir previsibilidade financeira.

O plano inclui ainda ações estruturais, como a venda de imóveis sem uso operacional, com expectativa de arrecadar cerca de R$ 1,5 bilhão, além da redução de custos administrativos. A reabertura do Programa de Demissão Voluntária resultou na adesão de pouco mais de 3 mil funcionários, número inferior ao previsto inicialmente.

Outras iniciativas em andamento envolvem o fechamento de parte das agências e a renegociação de passivos, incluindo despesas com plano de saúde e processos judiciais. As medidas buscam conter o avanço dos prejuízos e reequilibrar as contas nos próximos anos.

O cenário ocorre em meio a transformações no setor logístico e no comércio internacional, fatores que vêm impactando diretamente o volume de serviços prestados pela estatal em todo o país.

Redação TV Litoral

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