Uma audiência pública realizada na última quinta-feira (16), na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, discutiu a proposta de implantação do Porto Meridional em Arroio do Sal, com foco nos impactos ambientais, sociais e econômicos do empreendimento. O encontro, promovido pela Comissão de Segurança, Serviços Públicos e Modernização do Estado, através da deputada Sofia Cavedon (PT), ocorreu em formato híbrido e reuniu parlamentares, especialistas e representantes da sociedade civil.
Durante o debate, foi destacado que o projeto entrou em uma nova fase, com a análise do Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) pelo Ibama, etapa que prevê a realização de audiências públicas para discutir o mérito ambiental da proposta. A ausência de representantes do empreendimento no encontro também foi mencionada, com encaminhamento para envio da ata e solicitação de diálogo com os proponentes.
Especialistas apontaram possíveis impactos ambientais relevantes, como alterações na dinâmica costeira, risco de erosão em praias, necessidade de dragagens constantes e impactos na balneabilidade, além de efeitos sobre a pesca e aumento da poluição. Também foram levantadas preocupações com a infraestrutura viária da região, que poderia ser pressionada pelo aumento no fluxo de caminhões.
No campo econômico, participantes destacaram possíveis reflexos no turismo, principal atividade do Litoral Norte, além de impactos no mercado imobiliário e mudanças no perfil da região. Dados sobre crescimento populacional e desenvolvimento regional foram apresentados para contextualizar a importância econômica do litoral.
Representantes de entidades ambientais e movimentos sociais reforçaram a preocupação com a falta de debate ampliado com a população local e apontaram riscos sociais associados ao empreendimento. Também foram citadas alternativas logísticas, como a ampliação de estruturas já existentes, incluindo o Porto do Rio Grande.
Parlamentares presentes manifestaram posicionamentos críticos à proposta e defenderam maior participação popular nas próximas etapas do processo. A expectativa é de que novas audiências públicas ocorram, inclusive no Litoral Norte, para aprofundar a discussão sobre o projeto.




