O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta sexta-feira (10), um novo programa de habitação destinado à classe média, que deverá financiar 80 mil novas moradias até 2026. A iniciativa foi apresentada durante o evento Incorpora 2025, em São Paulo, considerado um dos maiores do setor habitacional no país.
O programa reestrutura o uso da poupança como fonte de crédito imobiliário, ampliando o acesso de famílias que ganham mais de R$ 12 mil mensais, público até então fora do alcance de programas como o Minha Casa, Minha Vida. Entre as medidas anunciadas, o valor máximo de financiamento pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH) passará de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões.
A reforma do sistema de financiamento habitacional prevê, também, o fim gradual dos depósitos compulsórios relacionados à poupança e a flexibilização do direcionamento dos recursos captados para o crédito imobiliário. Segundo o governo, isso permitirá que os bancos utilizem os depósitos da poupança de forma mais eficiente, ampliando o volume de crédito disponível para o setor.
A transição será gradual e deve ser concluída em janeiro de 2027, período em que 80% dos financiamentos habitacionais deverão seguir as regras do SFH, com juros limitados a 12% ao ano. A medida também visa aumentar a concorrência no setor, permitindo que instituições que não captam poupança concedam crédito habitacional em condições equivalentes às demais.
O anúncio chega em um momento em que o crédito habitacional vinha perdendo espaço devido ao alto volume de saques da poupança nos últimos anos. Entre 2023 e 2025, os resgates líquidos chegaram a bilhões de reais, pressionados pelo cenário de juros elevados e maior rentabilidade em outros investimentos.
Com o programa, o governo espera oferecer mais opções de moradia digna à classe média, permitindo que famílias escolham imóveis maiores e em localidades de sua preferência, sem comprometer a acessibilidade financeira.




