Participação de jovens eleitores pode atingir menor índice desde 2014 nas eleições de 2026

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A participação de adolescentes de 16 e 17 anos nas eleições presidenciais de 2026 pode registrar o menor índice dos últimos 12 anos no Brasil. Projeção do Instituto Lamparina aponta que apenas 27,6% dos jovens dessa faixa etária devem estar aptos a votar neste ano, percentual inferior ao observado nas eleições de 2014, 2018 e 2022.

A estimativa foi elaborada com base em dados oficiais e considera um universo de aproximadamente 1,5 milhão de adolescentes aptos ao alistamento eleitoral. Em 2022, o índice de participação havia alcançado 41,2%, impulsionado pela forte mobilização nas redes sociais e pela possibilidade de emissão totalmente digital do título de eleitor durante a pandemia.

Caso a projeção se confirme, os eleitores de 16 e 17 anos representarão cerca de 1% do eleitorado brasileiro em 2026. Na última eleição presidencial, esse grupo correspondia a aproximadamente 1,7% dos votantes.

Especialistas apontam que a retomada da obrigatoriedade da biometria presencial para novos eleitores pode ter contribuído para a queda na adesão. Em municípios menores e regiões mais afastadas, a ausência de cartórios eleitorais é considerada um dos fatores que dificultam o acesso dos adolescentes ao processo de emissão do título.

Em 2022, campanhas promovidas por influenciadores digitais, artistas e movimentos sociais tiveram impacto significativo no engajamento político da juventude. Naquele ano, mais de 2 milhões de adolescentes ficaram aptos a votar, estabelecendo o maior número de jovens eleitores desde a redemocratização do país.

Embora o voto seja facultativo para pessoas de 16 e 17 anos, analistas consideram a participação desse público relevante, principalmente em disputas equilibradas. Na eleição presidencial de 2022, a diferença entre os dois candidatos mais votados foi de 1,8% dos votos válidos.

Entidades e organizações que acompanham a participação política da juventude avaliam que a redução no número de adolescentes com título eleitoral acende um alerta sobre o interesse da nova geração pela política e os desafios para ampliar a participação democrática entre os jovens brasileiros.

Redação TV Litoral

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