Morreu na manhã de sábado (2), no Rio de Janeiro, o jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, aos 85 anos. Reconhecido por sua atuação na imprensa durante o período da ditadura civil-militar no Brasil, ele foi cremado no bairro do Caju, na capital fluminense.
Natural de Exu, Raimundo Pereira destacou-se ainda jovem por sua postura crítica ao regime instaurado após o Golpe de 1964. Estudante do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), foi expulso da instituição em razão de seu posicionamento político e de sua atuação em publicações estudantis contrárias ao governo.
Durante o período de repressão, foi preso pelo Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops/SP) e posteriormente transferido para a Base Aérea de Guarujá, onde permaneceu detido por cerca de dois meses. Após esse período, retomou sua formação acadêmica na Universidade de São Paulo, onde se graduou em Física.
A carreira no jornalismo começou de forma circunstancial, mas rapidamente ganhou relevância. Raimundo integrou equipes de importantes veículos da imprensa brasileira, como Revista Veja, Revista Realidade, IstoÉ e o jornal Folha da Tarde.
Na década de 1970, assumiu papel de destaque na chamada imprensa alternativa, dirigindo o jornal Opinião e, posteriormente, liderando a criação do jornal Movimento, publicação que se consolidou como espaço de articulação política e resistência ao regime militar até seu encerramento, em 1981.
Após o fim do periódico, Raimundo retornou à grande imprensa, mantendo atuação relevante no jornalismo nacional. Entidades representativas da categoria destacam seu legado como símbolo da defesa da democracia, da liberdade de expressão e da prática jornalística comprometida com a informação e a sociedade.
A trajetória do jornalista é associada à história da resistência democrática no país, marcada pela atuação firme em um período de censura e perseguições políticas, consolidando sua importância no cenário da comunicação brasileira.




