O cenário político para as próximas eleições presidenciais no Brasil indica a possibilidade de ausência de candidaturas femininas pela primeira vez desde 2002. Após o encerramento da janela partidária, os nomes colocados como pré-candidatos ao Palácio do Planalto são todos masculinos, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro.
Caso a configuração atual se mantenha até o registro oficial das candidaturas, o pleito marcará um intervalo de 24 anos sem participação feminina na disputa presidencial. Desde 2006, todas as eleições contaram com pelo menos duas mulheres concorrendo ao cargo.
Nas últimas décadas, a presença feminina ganhou destaque em diferentes eleições. Em 2010 e 2014, Dilma Rousseff foi eleita e reeleita presidente. Em 2014, também participaram Marina Silva e Luciana Genro. Já em 2022, o número de candidatas foi o maior do século, com nomes como Simone Tebet e Soraya Thronicke.
Para o próximo pleito, lideranças que poderiam compor esse cenário avaliam outras alternativas políticas, como disputas ao Senado, e até o momento não confirmaram candidaturas à Presidência.
Especialistas apontam que a possível ausência de mulheres na corrida presidencial evidencia desafios estruturais dentro dos partidos políticos, especialmente na distribuição de recursos e espaço de poder, ainda concentrados majoritariamente em lideranças masculinas. A legislação eleitoral brasileira estabelece cotas de gênero para eleições proporcionais, mas não exige essa regra nas disputas majoritárias.
A avaliação também indica que a menor presença feminina em cargos de maior visibilidade pode impactar a formação de novas lideranças e reduzir a diversidade no debate político nacional.




