O ex-prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo, foi encaminhado na tarde desta quinta-feira (26) à Penitenciária Estadual de Canoas. Ele foi preso pela manhã durante nova fase da Operação Lamaçal, conduzida pela Polícia Federal.
A investigação apura suspeitas de desvio de aproximadamente R$ 5 milhões em recursos federais provenientes do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS), por meio de contratos firmados entre 2020 e 2024 na área da assistência social. Segundo a PF, há indícios de fraudes em pelo menos três contratos, inclusive durante o período de calamidade pública provocado por enchentes no Vale do Taquari.
De acordo com o delegado Marcone Silva, o valor apontado é resultado de análise preliminar e ainda passará por apuração definitiva. A Polícia Federal identificou indícios de direcionamento em contratos com empresas de prestação de serviços terceirizados, como psicólogos, assistentes sociais, educadores sociais, auxiliares administrativos e motoristas.
Entre as supostas irregularidades estariam a apresentação de orçamentos fictícios para direcionar processos licitatórios e a inclusão de cláusulas em editais que restringiriam a participação de outras empresas. Uma das empresas investigadas é ligada a Lorena Mercalli, que também foi presa na operação.
Durante buscas, os policiais apreenderam R$ 411 mil em espécie em um cofre localizado em escritório onde Caumo atuava como advogado antes de assumir a prefeitura. A origem do valor está sob investigação.
A prisão, segundo a PF, foi motivada por contradições identificadas em depoimentos prestados na primeira fase da operação, deflagrada em novembro de 2025, além da possibilidade de destruição de provas ou combinação de versões entre investigados.
Defesa e posicionamentos
O advogado de defesa de Marcelo Caumo, Jair Alves Pereira, afirmou que ainda não teve acesso à decisão judicial e que desconhece os fundamentos da prisão. Segundo ele, o ex-prefeito tinha depoimento agendado para o dia 4 de março.
A Prefeitura de Lajeado informou, por meio de nota, que as diligências ocorreram em setores do Executivo municipal e que os contratos investigados são referentes a períodos anteriores à atual gestão. A administração declarou que vem colaborando com as investigações e reafirmou compromisso com a transparência e a legalidade na aplicação dos recursos públicos.




