A revogação do edital do Ministério da Educação (MEC) que autorizaria a criação de novos cursos de Medicina em instituições privadas impactou diretamente o Centro Universitário Unicnec, em Osório, que estava habilitado para receber a graduação. A decisão foi oficializada pelo governo federal e interrompeu o processo que previa a abertura de até 5.900 novas vagas em todo o país.
Lançado em 2023 dentro da retomada do Programa Mais Médicos, o edital já havia sido adiado diversas vezes e tinha como objetivo ampliar a formação médica, especialmente em regiões do interior. Segundo o MEC, a revogação ocorreu após mudanças no cenário de oferta de cursos, incluindo expansão por decisões judiciais, aumento de vagas em sistemas estaduais e avaliações que apontaram desempenho insatisfatório em mais de 100 cursos de Medicina no país.
Com a medida, instituições que aguardavam autorização para iniciar turmas, como o Unicnec, deixam de avançar na implementação do curso. A universidade afirmou que atendia aos critérios técnicos exigidos e que a não abertura ocorreu exclusivamente em função da revogação do chamamento público.
A decisão divide opiniões no setor educacional e médico. Entidades como a Associação Médica Brasileira defendem maior rigor na expansão dos cursos, com foco na qualidade da formação e na segurança dos pacientes, enquanto instituições de ensino avaliam que a suspensão reduz oportunidades regionais de formação profissional.
Mesmo sem o curso de Medicina, o Unicnec anunciou a continuidade de investimentos na área da saúde e inicia, em 23 de fevereiro, o Bacharelado em Terapia Ocupacional, ampliando a oferta de graduações na região.
A revogação mantém indefinido o futuro da expansão de cursos de Medicina em instituições privadas, enquanto o MEC sinaliza que deve reavaliar a política de abertura de novas vagas com base em critérios de qualidade e distribuição regional.




