A Polícia Federal instaurou investigação para apurar a suspeita de um esquema de contratação de influenciadores digitais com o objetivo de atacar o Banco Central (BC) e outros órgãos de controle, após a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025. A apuração busca esclarecer se os conteúdos teriam sido encomendados para fortalecer a imagem do banqueiro Daniel Vorcaro e do próprio banco.
As suspeitas vieram à tona após reportagem nacional apontar que influenciadores com grande alcance nas redes sociais teriam recebido valores entre R$ 250 mil e R$ 2 milhões para produzir vídeos favoráveis ao Banco Master e críticos ao BC e ao Tribunal de Contas da União (TCU). Somados, os perfis envolvidos alcançariam cerca de 36 milhões de seguidores. Os nomes dos influenciadores não foram oficialmente divulgados.
No Rio Grande do Sul, o vereador de Erechim Rony Gabriel informou ter sido procurado para participar da ação, mas recusou a proposta e tornou públicas as mensagens recebidas. O caso reforçou a repercussão nacional do episódio e contribuiu para a abertura do inquérito, que, segundo a Polícia Federal, investiga um possível projeto de gerenciamento de reputação e ataque coordenado a instituições, identificado preliminarmente como “Projeto DV”.
A defesa do Banco Master afirmou não ter conhecimento sobre o suposto esquema. Já a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) confirmou que identificou, no fim de dezembro, um volume atípico de postagens com menções a entidades do sistema financeiro e informou que avalia se houve atuação coordenada.
Daniel Vorcaro foi preso em 18 de novembro, no âmbito de outra investigação da Polícia Federal que apura a emissão de títulos de crédito falsos por instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional. A estimativa é de que as fraudes investigadas alcancem cerca de R$ 12 bilhões.




