O longa-metragem Vento Norte (1951), filmado em Torres, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, foi selecionado para a programação oficial do Festival Internacional de Cinema de Roterdã, um dos mais relevantes da Europa. Restaurada em 4K, a obra será exibida na mostra Cinema Regained, dedicada a clássicos do cinema mundial, entre os dias 29 de janeiro e 8 de fevereiro de 2026.
Considerado o primeiro longa-metragem de ficção com som realizado integralmente no Rio Grande do Sul, Vento Norte tem forte ligação com o Litoral Norte gaúcho. O filme foi rodado em preto e branco nas paisagens de Torres, com destaque para dunas, ventos e o cotidiano da orla marítima. Moradores da cidade, em especial pescadores locais, participaram da produção como atores, o que confere caráter documental e autenticidade à narrativa.
A restauração da obra foi conduzida pela Cinemateca Capitólio, vinculada à Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, em parceria com a Cinemateca Brasileira. O processo utilizou cópias originais em película e resultou em uma versão digital de alta resolução, adequada aos padrões atuais de exibição em festivais e salas de cinema.
Dirigido por Salomão Scliar, cineasta e fotógrafo gaúcho, o filme retrata a vida de uma pequena comunidade de pescadores que tem sua rotina alterada com a chegada de um forasteiro, desencadeando conflitos que conduzem a um desfecho trágico. Além do valor narrativo, a produção se destaca pelo registro visual raro do litoral gaúcho nos anos 1950, período pouco documentado pelo cinema brasileiro.
A escolha de Vento Norte para a mostra em Roterdã foi anunciada no dia 16 de dezembro e prevê duas exibições durante o festival, em datas ainda a serem confirmadas. A seleção marca a primeira apresentação internacional da versão restaurada e reforça a relevância histórica e cultural da obra, tanto para o cinema gaúcho quanto para a memória audiovisual do Litoral Norte do Rio Grande do Sul.
Após a restauração, o filme já foi exibido em instituições culturais no Brasil, como o Museu de Arte de São Paulo e espaços culturais em Porto Alegre. A participação no festival holandês amplia a circulação internacional da produção e projeta Torres como cenário de um marco do cinema nacional, agora reconhecido em um dos principais palcos do cinema mundial.




