Presidentes e ministros dos países do Mercosul iniciaram nesta sexta-feira (19), em Foz do Iguaçu (PR), a cúpula do bloco marcada pelo adiamento da assinatura do acordo comercial com a União Europeia, negociado há cerca de 25 anos. A formalização do tratado, prevista para este sábado (20), foi postergada para janeiro a pedido da UE, em razão de protestos de agricultores europeus.
Representantes de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai estavam prontos para assinar o pacto, assim como a Comissão Europeia e a maioria dos países do bloco europeu. No entanto, manifestações lideradas por produtores rurais, especialmente na França e na Itália, levaram a União Europeia a solicitar mais tempo para consolidar apoio político interno.
O Brasil, que exerce a presidência rotativa do Mercosul, informou que o pedido europeu será submetido aos demais líderes do bloco. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, solicitou prazo adicional para a conclusão do processo. Apesar de reconhecer a importância estratégica do acordo, Lula destacou que a assinatura depende da disposição conjunta das partes.
Em Bruxelas, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que espera reunir a maioria necessária para aprovar o tratado em janeiro. O acordo prevê a criação da maior zona de livre comércio do mundo, envolvendo mercados da América do Sul e da Europa.
A resistência ao pacto está concentrada principalmente no setor agrícola europeu, que teme a concorrência de produtos sul-americanos, como carne, arroz, mel e soja, considerados mais competitivos devido a diferenças nas normas de produção. Protestos ocorreram nesta quinta-feira (18), em Bruxelas, durante a cúpula europeia.
A programação do Mercosul inclui reuniões de ministros da Economia e das Relações Exteriores nesta sexta-feira e um encontro entre os presidentes do bloco no sábado (20), quando o Paraguai assumirá a presidência rotativa. Paralelamente, o presidente brasileiro participa da inauguração da Ponte de Integração Brasil–Paraguai, na fronteira entre Foz do Iguaçu e Presidente Franco.
Além do impasse comercial, a cúpula ocorre em meio a tensões diplomáticas recentes entre Brasil e Paraguai e à ausência, até o momento, de reuniões bilaterais entre Lula e o presidente argentino, Javier Milei. No campo econômico, o Brasil deve voltar a defender a inclusão dos setores automotivo e sucroalcooleiro no mercado comum do Mercosul, pauta que enfrenta resistência entre os demais países membros.




