A Polícia Civil do Rio Grande do Sul desencadeou na manhã desta segunda-feira (8) a Operação Aurora, ação coordenada nacionalmente para desarticular uma organização criminosa responsável pela venda ilegal de medicamentos controlados usados em abortos clandestinos. A ofensiva contou com apoio da Secretaria Nacional de Segurança Pública, por meio do Projeto Impulse, e mobilizou equipes em diversos estados.
Mandados foram cumpridos simultaneamente na Paraíba, Goiás, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Minas Gerais e Distrito Federal. Até o momento, três pessoas foram presas, e drogas e celulares foram apreendidos.
A investigação aponta que o grupo atuava no tráfico de misoprostol — comercializado ilegalmente como Cytotec — e oferecia orientação às mulheres durante o procedimento abortivo, num esquema que funcionava de forma organizada e articulada em redes sociais e aplicativos de conversa. Administradores controlavam a venda dos comprimidos e prestavam acompanhamento remoto, mediante pagamento.
As apurações começaram após um caso registrado em Guaíba em abril deste ano. Uma mulher chegou ao hospital com fortes dores após ingerir o medicamento adquirido pela internet e, sem receber o suporte prometido, expeliu dois fetos. Ela relatou ter sido incluída em um grupo de aplicativo destinado a usuárias do procedimento e orientada por uma suposta profissional, que teria interrompido o acompanhamento durante o processo.
A partir desse relato, policiais identificaram a estrutura da organização, que mantinha integrantes em diferentes estados e administrava grupos com mais de 250 mulheres, número que indica movimentação financeira significativa. A venda do medicamento é proibida fora do ambiente hospitalar por ser de uso controlado.
Nesta primeira etapa, a Operação Aurora busca esclarecer o papel de cada investigado, a rota do desvio dos medicamentos e a dinâmica da atividade criminosa. A iniciativa, segundo a Polícia Civil, reforça o esforço conjunto das forças de segurança no enfrentamento ao narcotráfico, na proteção da vida e na preservação da integridade física das mulheres.




