A volta de Abel Braga ao comando do Internacional, anunciada para as duas rodadas finais do Brasileirão, começou em meio a controvérsia e sob forte pressão. No mesmo dia em que o clube passou a registrar 40,8% de risco de rebaixamento, segundo cálculos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o técnico fez uma declaração de teor homofóbico durante sua apresentação, gerando rápida repercussão negativa entre torcedores e nas redes sociais.
Ao relembrar um episódio vivido em um treino no passado, Abel utilizou expressão ofensiva ao comentar o uso de camisas rosas. A fala ofuscou o objetivo da direção de transformar sua chegada em um ato de mobilização na reta final do campeonato. Horas depois, diante da repercussão, o treinador publicou um pedido de desculpas, afirmando reconhecer que a colocação foi inadequada e reforçando que cores não definem gênero.
Aos 73 anos, Abel saiu da aposentadoria e aceitou assumir o time sem remuneração, com contrato válido somente para os dois jogos restantes. Ele chega após a demissão de Ramón Díaz, anunciada no sábado (29), que custará aproximadamente R$1,3 milhão ao clube em razão da multa prevista em contrato. A troca ocorre em um momento crítico da temporada: com 41 pontos, o Inter entrou no Z-4 após ser goleado pelo Vasco.
A missão do novo treinador é considerada difícil. Para permanecer na elite, o Colorado precisa vencer o São Paulo, fora de casa, e o Red Bull Bragantino, no Beira-Rio. A direção destacou o simbolismo do retorno do ídolo, lembrando que o contato que levou ao acerto partiu de D’Alessandro e foi rapidamente aceito por Abel.
Com apenas dois treinos antes da partida decisiva no Morumbi, Abel tenta reorganizar emocional e taticamente a equipe enquanto o ambiente segue pressionado pela tabela e pela crise gerada pela própria declaração. O Inter encerra sua participação no Brasileirão diante do Bragantino, em jogo que pode definir a permanência ou o rebaixamento à Série B.




