O Rio Grande do Sul apresentou, durante a COP30, em Belém (PA), novos estudos que apontam o potencial da erva-mate como aliada na descarbonização e no incremento de carbono no solo. As pesquisas foram detalhadas no domingo (16), no painel “Erva-mate e o futuro verde: descarbonização, florestas e comunidade”, com participação de especialistas do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA), ligado à Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).
Os cientistas destacaram que o sistema de cultivo sombreado, adotado por produtores de erva-mate, apresenta desempenho superior ao modelo a pleno sol. De acordo com o DDPA, esse tipo de manejo se aproxima mais das características da mata nativa e favorece a adaptação da planta às mudanças climáticas. Entre os benefícios observados estão maior reserva de nutrientes, melhor infiltração de água no solo e maior atividade biológica. Estimativas preliminares indicam que pequenas porções de solo nesse sistema concentrariam bilhões de microrganismos que interagem diretamente com as raízes.
Dados das estações meteorológicas monitoradas pela Secretaria reforçam que, em áreas sombreadas, as temperaturas tendem a ser mais equilibradas ao longo do ano, com máximas mais baixas no verão e mínimas mais altas no inverno, proporcionando melhores condições para o desenvolvimento da planta.
Certificação e ampliação de mercado
A Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura apresentou o Selo de Manejo Certificado, criado para valorizar práticas sustentáveis no Estado. Atualmente, 97 propriedades possuem certificação por cultivar erva-mate integrada a espécies nativas, o que reforça a compatibilidade entre produção e conservação ambiental.
A Emater/RS-Ascar também destacou o selo específico de qualidade para erva-mate, atualmente adotado por seis ervateiras. A certificação é acompanhada por auditorias que verificam todas as etapas, desde o cultivo até o produto final oferecido ao consumidor.
Pesquisadores da Embrapa Florestas, do Paraná, apresentaram ainda perspectivas de expansão do setor. As análises apontam que a erva-mate tem potencial para abastecer indústrias como a farmacêutica, a de alimentos e a de cosméticos. A instituição desenvolve estudos sobre melhoramento genético, sistemas de produção e novas aplicações — entre elas, a ferramenta Carbon Matte, criada em parceria com a Fundação Solidaridad para mensurar benefícios ambientais.
A entidade também ressaltou as vantagens dos sistemas agroflorestais que utilizam a planta nativa, considerados soluções eficientes baseadas na natureza.
Identidade territorial
A Associação de Produtores e Parceiros da Erva-Mate do Alto Taquari (Appemat) apresentou o processo para solicitar a Indicação Geográfica (IG) da erva-mate produzida na região. O pedido está em elaboração com base em estudos que apontam características químicas e sensoriais específicas, resultantes da combinação entre solo, clima, manejo e processo industrial.
A participação do Rio Grande do Sul na COP30 reforça a aposta do Estado na atividade como vetor de sustentabilidade, inovação e desenvolvimento econômico para as comunidades produtoras.




