Polícia Civil deflagra operação contra grupo que usava deepfakes do presidente para aplicar golpes por todo o país

Imagem: Divulgação/Polícia Civil

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na manhã desta quarta-feira (12), uma operação contra um grupo acusado de aplicar golpes em massa por meio de deepfakes — vídeos e áudios sintéticos gerados por inteligência artificial — que simulavam figuras públicas, incluindo o presidente da República, para anunciar falsas indenizações governamentais.

Batizada de Plano de Contingência, a ofensiva é conduzida pela Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos (DRCPE/DERCC) e cumpre nove mandados de busca e apreensão, além de determinar bloqueios de contas bancárias e indisponibilidade de bens em Minas Gerais e São Paulo. Policiais desses estados atuam em conjunto nas diligências.

As investigações apontam que o esquema funcionava com anúncios patrocinados em redes sociais que redirecionavam vítimas a páginas falsas, montadas para se assemelharem a portais oficiais do governo. Nos sites, os golpistas exibiam vídeos manipulados com imagens de autoridades e apresentadores de jornais, afirmando o direito ao recebimento de uma indenização — em seguida, as pessoas eram induzidas a inserir o CPF para uma suposta verificação e orientadas a pagar uma “taxa” via Pix para liberação do valor.

A apuração, iniciada em abril a partir da identificação de campanhas fraudulentas, conseguiu rastrear o fluxo financeiro das fraudes. Segundo a investigação, os pagamentos eram processados por um gateway de pagamentos controlado por um jovem de 24 anos, de Conselheiro Lafaiete (MG), que repassava os valores a um beneficiário em São Paulo. A estrutura de anonimato incluía o uso de serviços de proxy e VPN, geridos por outro integrante técnico do grupo, também de Conselheiro Lafaiete.

A Polícia estima que o golpe causou prejuízo de pelo menos R$ 1,3 milhão e registrou vítimas em todos os estados — com foco recorrente em pessoas idosas, inclusive vários casos envolvendo vítimas com mais de 70 anos. A investigação identificou ainda a atuação de uma logística criminosa que envolve intermediários e empresas de processamento de pagamentos, o que facilitava a ocultação dos valores e o distanciamento entre o receptor final e as vítimas.

Além das medidas cautelares hoje executadas, a apuração segue com coleta de provas periciais e o cruzamento de dados telefônicos e telemáticos para aprofundar as responsabilidades e identificar outros envolvidos. A operação visa desarticular a estrutura nacional dedicada à criação de páginas e perfis “aquecidos” para uso em fraudes — prática que, no jargão criminoso, é chamada de “plano de contingência” por permitir contornar bloqueios das plataformas digitais.

Redação TV Litoral

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