Pesquisa diz que a violência nas escolas afeta autoestima, saúde mental e rendimento

Foto: ABR

Mais de 60% dos professores brasileiros não reconhecem comentários que reforçam estereótipos de gênero ou diminuem a capacidade das alunas como formas de violência contra meninas. O dado faz parte da pesquisa “Livres para sonhar: percepções da comunidade escolar sobre violência contra meninas”, realizada pela organização Serenas, em parceria com a Plano CDE, com apoio institucional da Nova Escola e financiamento do Instituto Beja e do Instituto Machado Meyer.

O levantamento ouviu 1.383 professores de todo o país, além de estudantes, gestores escolares e representantes de Secretarias de Educação. O estudo mostra que, em geral, docentes reconhecem a violência apenas em casos mais graves, como abuso sexual ou agressões físicas, deixando de identificar situações mais sutis, como ofensas, comentários sobre o corpo das alunas e regras que impõem restrições apenas a meninas — entre elas, proibições para usar determinadas roupas ou participar de esportes.

De acordo com a pesquisa, 77% dos professores gostariam de receber formação formal para lidar melhor com a questão, mas apenas um terço teve acesso a palestras e um quarto recebeu materiais educativos sobre igualdade de gênero e enfrentamento à violência nas escolas. A ausência de ferramentas institucionais e capacitação adequada é apontada como um dos principais desafios para a prevenção do problema.

O estudo também indica que 86% dos docentes acreditam que a violência contra meninas interfere diretamente no desempenho escolar, e 71% já observaram impactos negativos, como queda na frequência às aulas, baixa autoestima, prejuízos à saúde mental e redução das aspirações para o futuro.

O relatório revela ainda que a maioria das ações desenvolvidas por escolas e Secretarias de Educação tem caráter reativo, ocorrendo após os episódios de violência, o que limita as possibilidades de transformação do ambiente escolar em um espaço seguro e de convivência saudável.

A pesquisa destaca a necessidade de fortalecer políticas públicas que promovam prevenção e capacitação, além da integração entre áreas como educação, saúde e assistência social. O objetivo é garantir que escolas estejam preparadas para identificar, acolher e agir diante de diferentes formas de violência de gênero, criando condições para o desenvolvimento integral de meninas e meninos.

Redação TV Litoral

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