O homem preso por deixar uma mala com parte do corpo de uma mulher no guarda-volumes da Estação Rodoviária de Porto Alegre estava foragido do sistema prisional desde janeiro do ano passado. Ricardo Jardim, 66 anos, foi condenado em 2018 a 28 anos de prisão por matar a própria mãe e ocultar o corpo dentro de um armário concretado no apartamento onde moravam, no bairro Mont’Serrat, em 2015.
O apenado progrediu para o regime semiaberto de forma antecipada em janeiro de 2024, por decisão judicial motivada pela superlotação no sistema penitenciário. Ele ainda não havia cumprido o tempo necessário para a mudança de regime, mas possuía laudos favoráveis e boa conduta carcerária. A determinação estabelecia que ele deveria se apresentar em até 48 horas para receber orientação sobre a unidade onde cumpriria pena ou para colocar tornozeleira eletrônica. Isso não ocorreu, e Jardim permaneceu foragido.
Na quinta-feira (4), o condenado foi localizado em uma pousada no bairro São João, na zona norte da Capital, durante investigação conduzida pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Ele é suspeito de matar uma mulher, desmembrar o corpo e abandonar parte dele dentro de uma mala na rodoviária, no dia 20 de agosto. A vítima ainda não foi oficialmente identificada.
O Instituto-Geral de Perícias (IGP) confirmou que o tórax encontrado na rodoviária e os membros localizados em 13 de agosto no bairro Santo Antônio pertencem à mesma pessoa, uma mulher com mais de 45 anos. A perícia também identificou material genético do suspeito na mala e nas partes do corpo. A polícia investiga a motivação do crime e se ele agiu sozinho.
Jardim já havia chamado atenção pelo crime anterior, que teve como vítima a mãe, Vilma Jardim, de 76 anos. O corpo da idosa foi encontrado concretado dentro de um armário feito sob medida no apartamento da família. Na época, a investigação apontou que o publicitário cometeu o homicídio para ficar com cerca de R$400 mil de um seguro de vida.






