O pescador Daniel Veiga Oliveira, de Balneário Quintão em Palmares do Sul, participou nesta quarta-feira (13), em Brasília, do lançamento da 5ª edição da Auditoria da Pesca do Brasil, estudo realizado pela organização Oceana que avalia a gestão das pescarias costeiro-marinhas no país. O evento reuniu representantes do setor pesqueiro, gestores públicos e pesquisadores para debater os desafios da atividade diante das mudanças climáticas e da necessidade de políticas mais eficazes.
Durante o encontro, Daniel relatou a atuação de pescadores do Litoral Norte durante as enchentes de 2024, destacando o trabalho voluntário no resgate de vítimas em Porto Alegre e as dificuldades enfrentadas, como danos e furtos de embarcações. Ele também chamou atenção para o aumento de eventos climáticos extremos, como ciclones, e para o impacto do lixo e das alterações ambientais na atividade pesqueira.
O relatório da Auditoria aponta que não há diagnósticos sobre quase metade (47%) dos estoques de espécies marinhas e estuarinas exploradas comercialmente. Entre os estoques avaliados, 68% estão em situação de redução severa devido à pesca excessiva, e 92% das espécies não possuem planos de gestão. Além disso, metade das pescarias do país carece de regras de ordenamento, problema mais frequente nas regiões Norte e Nordeste.
Outro dado levantado é que apenas 12% das pescarias contam com medidas para reduzir a captura de espécies não alvo. Embora o orçamento do Ministério da Pesca e Aquicultura em 2024 tenha sido 85% maior do que no ano anterior, apenas 3% do total foi destinado a ações diretas de desenvolvimento sustentável e monitoramento da atividade.
A Auditoria da Pesca, publicada desde 2020, consolida dados públicos sobre a atividade pesqueira no Brasil e oferece recomendações para garantir o uso sustentável dos recursos marinhos, ressaltando que a adaptação às mudanças climáticas será decisiva para o futuro da pesca nacional.






