A Polícia Civil do Rio Grande do Norte investiga como tentativa de feminicídio o caso de agressão contra Juliana Garcia dos Santos, de 32 anos, que foi brutalmente espancada dentro do elevador de um condomínio em Natal no último sábado (26). O suspeito é o ex-jogador de basquete Igor Eduardo Pereira Cabral, de 29 anos, que foi preso em flagrante e teve a prisão convertida em preventiva.
As investigações apontam que o crime foi motivado por ciúmes. O casal participava de um churrasco no condomínio quando uma discussão começou após o suspeito exigir o celular da companheira. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que a vítima foi agredida com dezenas de socos no rosto e no corpo, já dentro do elevador. Juliana permaneceu no espaço por temer novas agressões fora do alcance das câmeras.
A vítima conseguiu pedir ajuda a vizinhos logo após o ataque. Igor foi detido ainda no local e encaminhado à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), onde foi autuado em flagrante.
Juliana permanece internada no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, com ferimentos graves e edema facial severo. A cirurgia para tratar as lesões ainda não pôde ser realizada devido ao inchaço. Amigos organizaram uma campanha de arrecadação online para auxiliar nos custos com o tratamento médico e acompanhamento psicológico.
O histórico de violência do casal já era conhecido. De acordo com a polícia, Juliana havia relatado episódios anteriores de agressões físicas e psicológicas, além de intimidações recorrentes. A investigação agora analisa esse contexto para reforçar a tipificação do crime como tentativa de feminicídio.
Em depoimento, o ex-atleta alegou ter sofrido um “surto claustrofóbico” durante o episódio, versão que não foi considerada justificável pelas autoridades. A delegada responsável pelo caso destacou a gravidade das lesões e o histórico de comportamento violento do suspeito.
Natural de Natal, Igor Cabral tem passagem por clubes do Rio Grande do Norte e do Rio de Janeiro e chegou a representar o Brasil em torneios internacionais de basquete 3×3. A Confederação Brasileira de Basquete, no entanto, esclareceu que o jogador nunca foi convocado oficialmente para representar a seleção principal.
O caso segue sob investigação e está sendo acompanhado por órgãos de proteção à mulher.





