Atirador mata quatro pessoas em Nova York e culpa esporte por doença cerebral

Foto: CHARLY TRIBALLEAU / AFP

Um ataque a tiros em um edifício de luxo na Park Avenue, uma das avenidas mais movimentadas de Nova York, deixou cinco pessoas mortas — incluindo o atirador — e outras cinco feridas no início da noite de segunda-feira (28). O suspeito, identificado como Shane Devon Tamura, 27 anos, atravessou os Estados Unidos de carro, saindo de Las Vegas, e realizou o atentado armado com um fuzil de assalto.

Entre os mortos estão duas mulheres, dois homens e o próprio agressor. Uma das vítimas era um policial de origem bengali, de 36 anos, pai de dois filhos e com o terceiro a caminho. Um dos alvos baleados permanece internado em estado grave.

De acordo com as autoridades, Tamura entrou no edifício armado, usando colete à prova de balas e óculos escuros, por volta das 18h30min (horário local). Ele saiu de uma BMW estacionada em fila dupla, entrou no saguão do prédio e atirou contra um segurança e o policial. Em seguida, subiu ao 33º andar, onde assassinou mais uma mulher antes de tirar a própria vida.

O prédio abriga escritórios de empresas como Blackstone, KPMG, Deutsche Bank e a sede da Liga Nacional de Futebol Americano (NFL), que, segundo a polícia, era o alvo do ataque. Uma funcionária da liga ficou gravemente ferida.

Carta e motivação

No bolso do agressor foi encontrada uma carta de suicídio em que ele afirmava sofrer de Encefalopatia Traumática Crônica (ETC), uma condição neurológica degenerativa ligada a traumas repetitivos na cabeça — comum entre jogadores de futebol americano. Tamura relatou ter sido quarterback durante o ensino médio e atribuía seu estado mental à prática do esporte, com críticas diretas à NFL. Ele pediu que seu cérebro fosse estudado após a morte.

A carta continha referências a outros casos semelhantes, como o de Terry Long, ex-jogador diagnosticado com ETC que se suicidou em 2005. No bilhete, Tamura também expressou frustrações com a liga e mencionou que sofria com sintomas associados à doença, como impulsividade e depressão.

Investigações

Segundo a polícia de Nova York, o agressor percorreu mais de 3,6 mil quilômetros de carro até chegar à cidade. Ele tem histórico de problemas de saúde mental. As investigações continuam para apurar a motivação completa do ataque e se havia conhecimento prévio por parte das autoridades sobre o deslocamento do suspeito.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou o caso como um “ato de violência sem sentido” cometido por um “lunático”. Agentes federais do FBI também participam da investigação.

A tragédia reacende o debate sobre os impactos neurológicos do futebol americano e os riscos associados ao porte de armas de alto calibre no país.

Redação TV Litoral

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