Leila Pereira é a Única Presidente Mulher entre Os 32 Clubes que Disputam o Mundial FIFA.

Leila é a única mulher presidente de um clube entre os 32 do Mundial. Foto: Fabio Menotti/palmeiras

É importante começar essa matéria, lembrando que o futebol feminino foi proibido no Brasil, por uma lei assinada pelo presidente Getulio Vargas em 1941. Essa bizarra proibição perdurou até o ano de 1979, ou seja, apenas 44 anos separam o fato da atualidade, no papel é claro. Na pratica não aconteceram mudanças significativas em favor das mulheres no meio esportivo, mas em especial no futebol.

Precisamos falar incialmente, que o futebol feminino do Brasil é pouco valorizado e nada desenvolvido, isso tudo devido ao machismo estrutural que impera na cultura do brasileiro e como diz a frase, em todas as estruturas institucionais. Por mais que a gente tente se livrar, ele esta presente no dia a dia de todos nós, por vezes imperceptível, quando por exemplo, uma mulher não recebe o atendimento adequado quando busca ajuda judiciaria para denunciar um agressor, ela simplesmente não recebe o mesmo tratamento que o próprio agressor. Mas na sua grande maioria das vezes esse machismo se mostra com contundente agressividade mesmo.

No texto da lei que proibiu a prática do futebol pelas mulheres diz que: “às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza”. Eu pergunto; quem pode de fato determinar qual é a “natureza da mulher”? Esse é o principal fator de mudança cultural para cada um de nós, é impensável aceitar que poderíamos determinar a natureza de cada pessoa, e com base nessa determinação, rotular o que se pode e o que não se pode fazer.

Desse tempo até agora, algumas coisas ja mudaram, a pouco tempo, grande clubes do Brasil como: Flamengo, Fluminense, Grêmio, Inter, São Paulo, Vasco, Cruzeiro, Botafogo, Corinthians e aqui vale lembrar, o protesto da sua torcida contra a contratação de um profissional que tinha um processo por assédio a uma mulher, o que fez a direção desistir do mesmo, e claro o Palmeiras, que hoje tem como presidente Leila Pereira. Além de Leila, hoje no Brasil apenas outras duas mulheres comandam clubes; CSA com Mirian Monte e Coritiba, com Mariana Libano.

A caminhada ainda é muito longa para chegarmos ao cenário ideal, pois estamos falando de uma mudança de cultural no mundo todo, o que leva muito tempo para acontecer, pois ainda assistimos a perguntarem quantas atletas Homossexuais existem no elenco? pergunta foi feita para a jogadora da seleção do Marrocos, por um repórter da BBC. Vocês imaginam essa pergunta sendo feita por a um jogador homem? Claro que não, pois homem protege outro homem.

Que nosso preconceito seja superado por nós mesmos, e que nossas cabeças possam estar abertas, que seja normal uma mulher ocupar um cargo de comando que até então “apenas homens eram aptos” a ocupar. Quem venham mais Leilas, Marianas, Mirians, Marias, Carlas, Fernandas, Dayanes, Paulas e tantas outras quiserem ter o esporte e o futebol como carreira de sucesso.

Márcio Lima

Márcio Lima

Formado em Gestão Comercial e Inglês pela Faculdade de Letras da UFRGS. Atualmente estudante de Jornalismo pela Faculdade Estácio. Gremista participante do Grupo de Conselheiros CIA(Conselheiros Independentes da Associados). Em seu currículo como jornalista esta a Radio Pachola, e a RDCTV de Porto Alegre. Comentarista, repórter e âncora de programas e jornadas esportivas.

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