Mais de 55 mil produtores deixaram a atividade leiteira comercial no Rio Grande do Sul entre 2015 e 2025, segundo levantamento realizado pela Emater/RS-Ascar. A pesquisa identificou os principais fatores que contribuíram para a saída das famílias do setor e apontou dificuldades econômicas, falta de mão de obra e desgaste provocado pela rotina de trabalho entre os principais motivos.
O estudo foi apresentado durante a 49ª Expointer e ouviu 571 famílias de 385 municípios gaúchos. Os dados mostram que a decisão de interromper a produção está relacionada a diferentes fatores e não se restringe a propriedades com menor nível de tecnologia.
Entre os principais motivos apontados pelos produtores que deixaram a atividade está o baixo preço pago pelo leite, mencionado por 79,3% dos entrevistados. O alto custo dos insumos aparece em seguida, citado por 66,7% das famílias.
A pesquisa também identificou o desgaste físico provocado pela rotina de trabalho e a dificuldade de contar com mão de obra familiar como fatores que contribuíram para a saída da atividade.
Apesar das dificuldades, os produtores ouvidos reconhecem a importância da produção leiteira na formação do patrimônio das famílias. Mesmo assim, quase 80% dos entrevistados não pretendem voltar a comercializar leite.
O levantamento faz parte de um esforço da Emater para compreender as transformações ocorridas na atividade leiteira gaúcha na última década. A partir dos resultados, a instituição pretende aprofundar a análise por regiões, considerando os diferentes Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes).
A intenção é identificar gargalos específicos de cada região e utilizar as informações para orientar ações de assistência técnica e outras iniciativas voltadas ao setor.
A redução do número de produtores representa um desafio para a cadeia leiteira do Rio Grande do Sul, especialmente diante do peso econômico e social da atividade para milhares de propriedades rurais e municípios do Estado.




