O Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025, o maior número desde o início da série histórica, em 2016, segundo a 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O total representa um aumento de 4% em relação a 2024.
No Rio Grande do Sul, foram contabilizadas 80 vítimas de feminicídio no ano passado, frente às 73 registradas em 2024, um crescimento de 9,5%. Apenas no primeiro semestre de 2026, o Estado já soma 41 casos, equivalente a mais da metade de todo o registrado ao longo do ano anterior.
Apesar da alta nos feminicídios, o número total de homicídios de mulheres no país apresentou queda de 5,5%, passando para 3.539 vítimas. No Rio Grande do Sul, a redução foi de 17,9%, com 166 mortes, contra 202 no ano anterior. O levantamento aponta que a diminuição ocorreu principalmente nos assassinatos ligados à criminalidade urbana, enquanto os crimes motivados por violência doméstica e de gênero permanecem em alta.
Conforme o Código Penal, feminicídio é o assassinato de uma mulher em razão de sua condição de gênero, incluindo casos de violência doméstica e familiar ou motivados por menosprezo e discriminação contra a mulher.
No Estado, os feminicídios passaram a representar 48,2% de todos os homicídios de mulheres, percentual superior à média nacional, de 44,4%.
O anuário também revela que as mulheres negras continuam sendo as principais vítimas desse tipo de crime, respondendo por 65,1% dos feminicídios registrados no país. A faixa etária entre 25 e 44 anos concentrou mais da metade das vítimas, e o ambiente doméstico foi o local onde ocorreram 62,5% dos casos.
Entre os casos em que foi possível identificar a autoria, 96,4% dos crimes foram cometidos por homens. O parceiro íntimo foi responsável por 60,9% dos feminicídios, seguido pelo ex-companheiro, com 18,9%, e por familiares, com 12,1%.
O levantamento também aponta aumento nas tentativas de feminicídio. Em 2025, o Brasil registrou 4.189 tentativas, enquanto o Rio Grande do Sul contabilizou 264 ocorrências, alta de 11,8% em relação ao ano anterior.
Outro dado destacado pelo anuário é o crescimento do descumprimento de medidas protetivas de urgência. No Rio Grande do Sul, foram registrados 13.891 casos, um aumento de 16%, colocando o Estado com a segunda maior taxa do país nesse indicador. Também houve avanço nos registros de perseguição e violência psicológica, enquanto os casos de lesão corporal em contexto de violência doméstica apresentaram leve redução e os registros de estupro diminuíram 9% no território gaúcho.
Os dados reforçam que, embora os índices gerais de mortes violentas de mulheres tenham recuado, a violência letal praticada em contexto doméstico e familiar continua sendo um dos principais desafios para a segurança pública e para as políticas de proteção às mulheres no Brasil.




