Os Correios encerraram as atividades de 11 agências no Rio Grande do Sul entre o final de maio e o início de junho, como parte do plano nacional de reestruturação da empresa. A medida integra uma série de ações adotadas pela estatal para reduzir despesas diante do cenário de dificuldades financeiras enfrentado nos últimos anos.
As unidades desativadas estão localizadas em Porto Alegre, Caxias do Sul, Gramado, Rio Grande, Triunfo, São Leopoldo e Derrubadas. Na Capital, foram fechadas as agências do Foro Central, no bairro Praia de Belas, do Campus do Vale da UFRGS, na Agronomia, além das unidades situadas nas avenidas Protásio Alves e Bento Gonçalves. Em Caxias do Sul, os encerramentos atingiram as agências dos bairros Ana Rech e Galópolis.
De acordo com a empresa, o atendimento à população seguirá sendo realizado por meio de outras unidades existentes nos municípios afetados. Apesar disso, moradores e lideranças locais manifestaram preocupação com possíveis dificuldades de acesso aos serviços postais, especialmente para idosos, pessoas com mobilidade reduzida e comunidades mais distantes dos centros urbanos.
A redução da estrutura faz parte de um plano nacional que prevê o fechamento de aproximadamente mil agências próprias em todo o país. Segundo os Correios, a iniciativa busca diminuir custos operacionais e contribuir para o equilíbrio financeiro da empresa.
O processo ocorre em meio a um cenário de resultados negativos. Conforme dados divulgados pela estatal, o prejuízo registrado no primeiro trimestre de 2026 chegou a R$ 3,1 bilhões. No ano anterior, as perdas somaram R$ 8,5 bilhões, mantendo uma sequência de déficits observada desde o final de 2022.
Além do fechamento de unidades, a empresa também anunciou outras medidas de contenção de gastos, como a venda de ativos, a redução de despesas operacionais e a implementação de um Programa de Demissão Voluntária (PDV). A expectativa é ampliar a adesão de empregados ao programa nos próximos anos.
No Rio Grande do Sul, os Correios mantêm cerca de 500 agências próprias e mais de 5 mil funcionários. A empresa informou que, neste momento, não há previsão de novos fechamentos de agências nas próximas semanas, embora entidades representativas dos trabalhadores acompanhem possíveis alterações na estrutura operacional da estatal.
Especialistas avaliam que as ações podem contribuir para aliviar a situação financeira no curto prazo, mas destacam que o principal desafio permanece sendo o equilíbrio entre receitas e despesas em um mercado cada vez mais competitivo.




