A Companhia Riograndense de Saneamento estruturou um plano de R$1,88 bilhão para ampliar a resiliência hídrica no Rio Grande do Sul, com foco na manutenção do abastecimento de água em cenários de eventos climáticos extremos. A iniciativa foi desenvolvida após a enchente histórica registrada em maio de 2024, que provocou impactos significativos na infraestrutura de saneamento em todo o Estado.
Durante o pico da crise, cerca de 906 mil residências ficaram sem abastecimento, afetando diretamente 475 municípios, dos quais 236 decretaram situação de emergência na área de atuação da companhia. A rápida elevação do nível das águas comprometeu sistemas de captação, redes e unidades operacionais, exigindo resposta emergencial para restabelecimento dos serviços.
Como resposta, a Corsan protocolou junto à agência reguladora um Plano de Resiliência Hídrica, atualmente em análise, que prevê intervenções em 55 municípios. Entre as principais ações estão a realocação de 91 unidades operacionais para áreas fora de risco de inundação, a perfuração de poços profundos como fontes alternativas de abastecimento e a ampliação da capacidade de reservação e interligação entre sistemas.
A primeira etapa do plano concentra investimentos de aproximadamente R$ 350 milhões, com parte das obras já em execução. O projeto também inclui a modernização de estruturas em áreas vulneráveis, duplicação de sistemas de captação e adequação de Estações de Tratamento de Água e de Esgoto para operação em condições adversas.
Outra frente envolve a formação de estoques estratégicos de equipamentos, como geradores, bombas e embarcações, além do fortalecimento do uso de tecnologia para monitoramento em tempo real e gestão integrada das operações, ampliando a capacidade de resposta a situações críticas.
O plano é impulsionado pelo cenário de maior frequência de eventos extremos e por previsões climáticas que indicam possibilidade de chuvas acima da média na região Sul, associadas a fenômenos como o El Niño.
Paralelamente, a companhia mantém investimentos em obras estruturantes em diferentes regiões do Estado, com foco na segurança hídrica e na continuidade dos serviços. A estratégia busca consolidar um modelo de atuação baseado em prevenção, adaptação e resposta rápida, diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.




