A pesca artesanal realizada com auxílio de botos no Sul do Brasil foi reconhecida como patrimônio cultural imaterial em nível federal. A decisão foi aprovada nesta quarta-feira (11) pelo Conselho Deliberativo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, com registro no Livro de Saberes da instituição.
O reconhecimento abrange comunidades pesqueiras de Laguna, Araranguá, Imbé e Tramandaí, onde a prática é mantida há gerações.
A tradição centenária consiste na cooperação entre pescadores e botos durante a pesca da tainha. Os animais ajudam a localizar e cercar os cardumes e, por meio de movimentos característicos, indicam o momento adequado para que os pescadores lancem a tarrafa.
Segundo o parecer técnico apresentado ao conselho, o registro reconhece o valor histórico, cultural e socioambiental da prática, considerada um exemplo singular de interação entre seres humanos e animais na natureza. O documento também destaca que o saber tradicional é transmitido entre gerações e permanece ativo nas comunidades que dependem da pesca artesanal.
A pesca com botos ocorre principalmente em sistemas estuarinos da região, como a foz do Rio Tramandaí e o complexo lagunar de Laguna, em Santa Catarina. A prática também pode ser observada, em menor frequência, nos estuários dos rios Rio Mampituba e Rio Araranguá.
Antes do reconhecimento nacional, a tradição já havia sido registrada como patrimônio cultural imaterial em Santa Catarina pela Fundação Catarinense de Cultura, em 2018. O novo registro amplia a proteção e o reconhecimento da prática como parte do patrimônio cultural brasileiro.




