A Polícia Científica de Santa Catarina concluiu que não foram identificadas fraturas nos ossos do cão comunitário Orelha e que a causa da morte permanece inconclusiva. O laudo foi elaborado após a exumação do corpo e incluiu análise de imagens de câmeras de segurança registradas no dia do desaparecimento do animal, na Praia Brava, em Florianópolis.
Segundo o exame necroscópico, o corpo apresentava avançado estado de putrefação e esqueletização, o que inviabilizou a avaliação de tecidos moles e órgãos internos. A perícia concentrou-se na análise óssea e não constatou fraturas, inclusive no crânio. O documento ressalta, no entanto, que a ausência de lesões ósseas não descarta a possibilidade de traumatismo cranioencefálico.
Também foi descartada a hipótese de que um prego tenha sido cravado na cabeça do animal, já que esse tipo de agressão deixaria fratura circular no crânio, o que não foi verificado.
O laudo apontou ainda patologias crônicas compatíveis com a idade do cão, como espondilose e degenerações articulares, sem relação com possível trauma recente.
Na análise de sete vídeos gravados em 4 de janeiro, os peritos não identificaram alterações significativas na locomoção do animal nem indícios de adulteração das imagens. Orelha aparece deitado por cerca de uma hora em frente a um condomínio e deixa o local caminhando normalmente.
A exumação foi solicitada pelo Ministério Público de Santa Catarina, que criou grupo de trabalho para avaliar as novas diligências. O caso tramita sob sigilo e segue em investigação pela Polícia Civil de Santa Catarina, com aplicação das normas do Estatuto da Criança e do Adolescente por envolver adolescentes.




