O CEO da Meta Platforms, Mark Zuckerberg, negou em tribunal ter desenvolvido redes sociais com o objetivo de viciar crianças e adolescentes em telas. O depoimento ocorreu nesta quarta-feira (18), em Los Angeles, durante julgamento considerado histórico nos Estados Unidos.
A ação foi movida por uma mulher da Califórnia que afirma ter desenvolvido depressão e pensamentos suicidas após usar, ainda criança, o Instagram e o YouTube. Ela sustenta que as plataformas priorizaram o engajamento e o lucro mesmo cientes de possíveis impactos negativos na saúde mental de jovens.
Durante o interrogatório, Zuckerberg reiterou que a Meta não permite usuários menores de 13 anos em seus serviços. No entanto, foi confrontado com documentos internos que mencionam estratégias para ampliar o alcance entre pré-adolescentes. Também foram apresentados e-mails antigos que indicavam metas de aumento no tempo de uso do aplicativo.
O executivo argumentou que, embora a empresa tenha estabelecido metas relacionadas ao tempo de permanência no passado, a estratégia evoluiu para priorizar a experiência do usuário. Ele afirmou ainda que adolescentes representam menos de 1% da receita da companhia.
O julgamento integra uma onda de processos nos EUA contra empresas de tecnologia, incluindo a Google, controladora do YouTube. As ações questionam o desenho e o funcionamento das plataformas, alegando que contribuíram para uma crise de saúde mental entre jovens.
Especialistas apontam que o caso pode servir de parâmetro para milhares de processos semelhantes movidos por famílias, distritos escolares e estados norte-americanos. Um eventual veredicto desfavorável pode abrir precedente relevante sobre a responsabilidade das big techs em relação aos impactos de seus produtos sobre usuários menores de idade.




