Dois estudantes do Ensino Médio de Porto Alegre desenvolveram um dispositivo portátil com uso de inteligência artificial (IA) que pode auxiliar profissionais de saúde no diagnóstico de câncer de pele. O projeto, batizado de SkinScan, foi premiado na Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec) 2025 e agora será apresentado na feira científica I Giovani e le Scienze, que ocorre de 21 a 23 de março, em Milão, na Itália.
O equipamento foi criado pelos alunos Arthur Duval e Fernanda Gib, ambos de 17 anos, do Colégio João Paulo I (JPSul). O dispositivo utiliza uma placa Raspberry Pi, uma câmera para capturar imagens das lesões e uma tela touchscreen para exibir os resultados. Após registrar 12 imagens, o sistema analisa os dados e indica se a lesão é suspeita, apontando possíveis indícios de câncer de pele.
A inteligência artificial foi treinada com cerca de 10 mil imagens de lesões benignas e malignas, provenientes de bases públicas da área da saúde. Segundo os testes iniciais, o SkinScan apresenta precisão de aproximadamente 77% e gera resultados em cerca de dois segundos.
Os estudantes destacam que o aparelho não substitui a avaliação médica, mas funciona como uma ferramenta de apoio, especialmente na atenção primária. A ideia é que, no futuro, o dispositivo possa ser utilizado no Sistema Único de Saúde (SUS), facilitando o rastreamento precoce, principalmente do melanoma, tipo mais grave de câncer de pele.
O projeto contou com orientação dos professores Giovane Irribarem de Mello e Maria Eduarda Pellicioli, da área de física e metodologia científica. A professora reforça que a proposta é contribuir com o trabalho do profissional de saúde, não substituir o diagnóstico clínico.
Além do caráter inovador, o SkinScan se destaca pelo baixo custo: o valor estimado de produção varia entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil. O dispositivo é portátil, pesa cerca de 500 gramas e funciona com bateria recarregável.
Agora, os alunos buscam parcerias com universidades ou hospitais para avançar nos testes em ambientes reais de atendimento, ampliando o potencial de aplicação da tecnologia desenvolvida na escola.




