Uma operação conjunta da Polícia Civil, do Ministério Público do Rio Grande do Sul e da Receita Estadual cumpriu, nesta quarta-feira (28), uma série de ordens judiciais contra um esquema de evasão fiscal e lavagem de dinheiro que teria ligação com facções criminosas e atuação direta em municípios do Litoral Norte gaúcho.
Batizada de Operação Acerto de Contas, a ofensiva resultou no cumprimento de 261 ordens judiciais em todo o Estado, incluindo uma prisão preventiva, instalação de tornozeleiras eletrônicas em 11 investigados, bloqueio de até R$ 225 milhões em ativos financeiros, além do sequestro de imóveis e veículos. No Litoral Norte, os mandados foram cumpridos em Tramandaí e Capão da Canoa.
O principal alvo é um contador suspeito de estruturar um complexo esquema de empresas de fachada, conhecidas como “noteiras”, utilizadas para emissão de notas fiscais inidôneas, sonegação de tributos e ocultação da origem de recursos ilícitos. A investigação aponta que mais de 150 empresas teriam sido usadas para simular operações comerciais e lavar dinheiro de organizações criminosas.
Durante as diligências, foram apreendidos veículos, documentos, equipamentos eletrônicos e cerca de 70 quilos de prata, avaliados em aproximadamente R$ 2,7 milhões. Também foram identificadas movimentações financeiras e patrimônio incompatíveis com a renda declarada, incluindo imóveis no litoral registrados em nome de terceiros.
As apurações indicam que o esquema beneficiava empresários interessados em reduzir ilegalmente a carga tributária, além de servir como mecanismo de lavagem de capitais oriundos do tráfico de drogas. A atuação integrada entre os órgãos de investigação permitiu o compartilhamento de provas e o aprofundamento das diligências financeiras e patrimoniais.
A operação segue em andamento e novas medidas não estão descartadas. O material apreendido será analisado para identificação de outros envolvidos e ampliação do rastreamento dos valores desviados.




