O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais encerrou oficialmente as buscas por vítimas do rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A confirmação ocorreu neste sábado (25), data em que a tragédia completou sete anos.
Segundo a corporação, 100% dos rejeitos despejados na área do desastre foram vistoriados, trabalho concluído em dezembro de 2025. Com isso, as equipes entraram em fase de desmobilização, embora a operação Brumadinho siga ativa em frentes administrativas e de investigação.
Ao longo de 2.558 dias de buscas, mais de 10 milhões de metros cúbicos de lama foram analisados. A operação envolveu mais de 5 mil bombeiros, apoio de corporações de outros estados, 31 aeronaves, 68 cães e cerca de 120 máquinas, sendo considerada a maior operação de buscas da história do Brasil. No período, 268 vítimas foram localizadas e identificadas.
Duas pessoas seguem desaparecidas entre as 270 vítimas da tragédia: o engenheiro mecânico Tiago Tadeu Mendes da Silva, de 34 anos, e a estagiária Nathália de Oliveira Porto Araújo, de 25. Ambos estavam no refeitório da mina no momento do rompimento da barragem. A Polícia Civil continua o trabalho de análise pericial e identificação de segmentos humanos ainda não examinados.
De acordo com os bombeiros, apenas 88 vítimas tiveram os corpos encontrados de forma íntegra. As demais foram identificadas a partir de fragmentos, principalmente ossos, armazenados em caixas especiais de zinco — método criado após a tragédia para preservar o material genético pelo maior tempo possível.
Em nota e entrevistas, o porta-voz da corporação, tenente Henrique Barcellos, afirmou que o encerramento das buscas representa o cumprimento de um compromisso assumido com a sociedade mineira e com as famílias das vítimas, embora o sentimento de justiça ainda esteja distante para muitos parentes.
O rompimento da barragem, ocorrido em 25 de janeiro de 2019, devastou cerca de 290 hectares, atingiu instalações da mineradora, comunidades, áreas rurais e o Rio Paraopeba, marcando de forma permanente a história ambiental e social do país.




