Os tradicionais orelhões estão começando a ser retirados das ruas em todo o Brasil, marcando o fim definitivo de um dos serviços mais emblemáticos da história das telecomunicações no país. A medida ocorre após o encerramento das concessões de telefonia fixa, concluído em 2025, o que desobriga as operadoras de manter os telefones públicos em funcionamento.
Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), ainda existem cerca de 38 mil aparelhos instalados no território nacional. A retirada não acontece de forma simultânea em todas as cidades e, neste primeiro momento, prioriza estruturas desativadas, danificadas ou sem uso, processo que já vinha sendo realizado gradualmente nos últimos anos.
Com o fim das concessões, empresas como Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica deixam de ter exigência legal para conservar os orelhões. Dados da Anatel mostram que, em 2020, o Brasil possuía aproximadamente 202 mil telefones públicos. Atualmente, pouco mais de 33 mil seguem ativos e cerca de 4 mil estão em manutenção, números que evidenciam a queda acelerada no uso do serviço.
A agência reguladora determinou que os recursos antes destinados à manutenção dos orelhões sejam redirecionados para investimentos em infraestrutura de banda larga e telefonia móvel, acompanhando a mudança nos hábitos de comunicação da população.
Criados no Brasil em 1971, os orelhões foram projetados pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira. O design inovador, que se tornou símbolo da paisagem urbana, tinha como objetivo melhorar a acústica das ligações e reduzir ruídos externos, alcançando reconhecimento internacional.
Durante décadas, especialmente entre os anos 1970 e o início dos anos 2000, os telefones públicos foram essenciais para a comunicação cotidiana, em um período de acesso restrito à telefonia residencial e móvel. A retirada dos aparelhos representa o encerramento de uma era e consolida a transição definitiva para as tecnologias móveis e digitais no país.




