As universidades federais do Rio Grande do Sul devem enfrentar uma redução superior a R$ 44 milhões em seus orçamentos em 2026, conforme a Lei Orçamentária Anual (LOA) aprovada pelo Congresso Nacional no dia 19 de dezembro. O texto segue para sanção ou veto do presidente da República. O corte representa cerca de 7% do valor inicialmente previsto no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) enviado pelo Executivo.
Os recursos atingidos correspondem às chamadas despesas discricionárias, que financiam itens essenciais ao funcionamento das instituições, como contas de água e energia elétrica, contratos de limpeza e segurança, bolsas acadêmicas, assistência estudantil, insumos de pesquisa e aquisição de equipamentos.
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), maior instituição federal de ensino do Estado, concentra o maior impacto em valores absolutos, com redução estimada em R$ 14,5 milhões, o equivalente a 7,24% do orçamento previsto. Também estão incluídas nos cortes a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Universidade Federal do Rio Grande (Furg), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e Universidade Federal do Pampa (Unipampa), com percentuais de redução entre 6,6% e 7,2%.
Além das universidades, o Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) também será afetado, com corte estimado em 7,21%, o que representa cerca de R$ 85 milhões.
Somados, os recursos destinados a universidades e institutos federais em todo o país em 2026 devem totalizar aproximadamente R$ 6,43 bilhões. O montante equivale a menos de 0,1% do orçamento geral da União, estimado em R$ 6,5 trilhões. Levantamento da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) aponta que o corte nacional no sistema federal de universidades chega a R$ 448 milhões.
Segundo as administrações das instituições, a redução ocorre após um período de planejamento orçamentário já concluído, o que exigirá revisão de prioridades e readequação de despesas ao longo do próximo ano. Entre as áreas que podem ser impactadas estão projetos de ensino, pesquisa e extensão, manutenção predial, contratação de serviços terceirizados e programas de assistência estudantil.
As reitorias avaliam que, caso o cenário seja mantido após a sanção presidencial, o orçamento de 2026 tende a garantir apenas o funcionamento básico das universidades, com limitações para investimentos, expansão de políticas estudantis e recuperação de estruturas afetadas por eventos climáticos recentes no Estado.




